Economia

Salários ajudam a reduzir pobreza em 22 regiões metropolitanas

De acordo com o estudo, com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de pobreza em 22 metrópoles brasileiras chegou a 18,4% em 2025

Por Agência Brasil com Redação 12/06/2026 07h07
Salários ajudam a reduzir pobreza em 22 regiões metropolitanas

Entre 2021 e 2025, mais de 10 milhões de pessoas saíram da condição de pobreza nas regiões metropolitanas do Brasil. Os dados são do boletim Desigualdade nas Metrópoles, elaborado pelo Observatório das Metrópoles, a Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).

De acordo com o estudo, com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de pobreza em 22 metrópoles brasileiras chegou a 18,4% em 2025, atingindo, pelo terceiro ano consecutivo, o menor índice da série histórica iniciada em 2012.

“Foi uma redução significativa. Um patamar grande, apesar do nível de pobreza ainda se manter bastante alto no conjunto das metrópoles do Brasil”, afirma o economista e sociólogo Marcelo Ribeiro, professor do Programa de Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Observatório das Metrópoles, em entrevista à Agência Brasil.

Para o especialista, a queda da pobreza está diretamente relacionada ao aumento da remuneração do trabalho, beneficiada pela maior oferta de ocupações no país. “Está muito vinculada ao fato de as pessoas mais pobres terem aumentado sua renda a partir do rendimento do trabalho.”

Ribeiro descarta que o avanço seja resultado dos programas de transferência de renda, já que os valores pagos pelo Bolsa Família permanecem inalterados desde março de 2023.

Renda domiciliar bate recorde

Segundo o boletim, “a renda média domiciliar per capita nas metrópoles brasileiras alcançou novo recorde em 2025”, chegando a R$ 2.766.

No ano passado, cerca de 15,2 milhões de pessoas (15.188.817) viviam em situação de pobreza nas regiões metropolitanas — aquelas com renda domiciliar mensal de até R$ 729 por pessoa. Esse contingente equivale à soma das populações do Pará, Paraíba e Sergipe.

Dentre esse grupo, 2,6 milhões estavam em extrema pobreza, com até R$ 229 mensais per capita — número similar à população de Fortaleza ou Salvador.

A taxa de extrema pobreza caiu para 3,2% nas metrópoles, ficando acima apenas dos índices registrados em 2013 e 2014.

Desigualdade persiste: 10% mais ricos ganham 16,1 vezes mais

O boletim também analisou a concentração de renda pelo índice de Gini, que em 2025 foi de 0,511 (quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade).

Segundo o estudo, “o aumento da desigualdade [entre 2024 e 2025] também foi identificado pela razão entre os rendimentos dos 10% mais ricos e dos 40% mais pobres da população. Em 2025, os mais ricos receberam, em média, 16,1 vezes mais do que os situados na base, reforçando a persistência das disparidades socioeconômicas nas metrópoles brasileiras.”

Para Marcelo Ribeiro, a perpetuação da desigualdade social no Brasil tem múltiplas causas, como a estrutura do mercado de trabalho e os rendimentos de aplicações financeiras. “Para os mais ricos, o mercado de trabalho tem efeito especial, pois ocupam cargos de maior remuneração e escolaridade”, explica.

O economista também ressalta que, no período analisado, o país viveu com taxas de juros elevadas, beneficiando apenas os grupos de maior poder aquisitivo, que podem investir em aplicações financeiras. “Os rendimentos deles, tanto do trabalho quanto de aplicações, cresceram proporcionalmente mais do que nos estratos mais baixos.”

Desigualdade regional é marcante

Ribeiro destaca que a desigualdade tem forte distribuição geográfica. Metrópoles do Norte e Nordeste concentram proporcionalmente mais pobres do que as do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O Distrito Federal, por exemplo, apresenta renda média mensal de R$ 4.401 — 2,7 vezes maior que a da Grande São Luís, de R$ 1.616.

O estudo analisou as regiões metropolitanas de Manaus, Belém, Macapá, São Luís, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracaju, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Vale do Rio Cuiabá, Goiânia, o Distrito Federal e a Região Administrativa Integrada de Desenvolvimento de Teresina (PI).