Economia

Contas públicas registram superávit primário de R$ 24,6 bilhões em abril

Em relação a abril de 2025, o resultado representa aumento significativo, já que naquele período o superávit foi de R$ 14,2 bilhões

Por Agência Brasil 29/05/2026 14h02
Contas públicas registram superávit primário de R$ 24,6 bilhões em abril
Em relação a abril de 2025, o resultado representa aumento significativo, já que naquele período o superávit foi de R$ 14,2 bilhões - Foto: Reprodução

As contas públicas brasileiras fecharam abril com saldo positivo, impulsionadas por uma arrecadação recorde e superávit no governo federal. O setor público consolidado — composto por União, estados, municípios e empresas estatais — apresentou superávit primário de R$ 24,6 bilhões no mês.

Em relação a abril de 2025, o resultado representa aumento significativo, já que naquele período o superávit foi de R$ 14,2 bilhões.

As estatísticas fiscais foram divulgadas nesta sexta-feira (29) pelo Banco Central (BC). O resultado primário corresponde à diferença entre receitas e despesas, sem considerar o pagamento de juros da dívida pública.

Apesar do desempenho positivo em abril, no acumulado de 12 meses até o mês passado, o setor público consolidado apresentou déficit de R$ 126,6 bilhões, equivalente a 0,97% do Produto Interno Bruto (PIB).

Em 2025, as contas públicas encerraram o ano com déficit primário de R$ 55 bilhões, ou 0,43% do PIB.

Com arrecadação recorde em abril, o Governo Central registrou superávit de R$ 26,1 bilhões, revertendo o déficit de R$ 16,2 bilhões em abril de 2025.

O valor difere do divulgado pelo Tesouro Nacional na quinta-feira (30), que apontou superávit de R$ 25,2 bilhões, devido a diferenças metodológicas. O Banco Central considera a variação da dívida dos entes públicos em seu cálculo.

Os governos regionais — estados e municípios — também tiveram desempenho positivo, com superávit de R$ 329 milhões em abril, frente ao déficit de R$ 659 milhões no mesmo mês de 2025, contribuindo para o saldo positivo das contas públicas.

Por outro lado, as empresas estatais federais, estaduais e municipais (exceto Petrobras e Eletrobras) registraram déficit de R$ 1,8 bilhão em abril, superior ao déficit de R$ 1,4 bilhão no mesmo período de 2025, reduzindo o superávit consolidado.

Os gastos com juros somaram R$ 84,8 bilhões em abril. Com isso, o resultado nominal das contas públicas — que inclui o resultado primário e os juros — ficou negativo em R$ 60,1 bilhões, ante déficit de R$ 55,5 bilhões em abril de 2025.

No acumulado de 12 meses até abril, o setor público registra déficit nominal de R$ 1,2 trilhão, ou 9,41% do PIB. Este resultado é acompanhado por agências de classificação de risco para avaliar o endividamento do país, indicador importante para investidores.

A dívida líquida do setor público — diferença entre créditos e débitos dos governos federal, estaduais e municipais — atingiu R$ 8,8 trilhões em abril, o equivalente a 67,4% do PIB, um aumento de 0,6 ponto percentual em relação ao mês anterior.

O crescimento da dívida foi influenciado principalmente pelos juros nominais apropriados e pela valorização cambial de 4,4% em abril, fatores parcialmente compensados pelo superávit primário, pela variação do PIB nominal e por outros ajustes da dívida externa líquida. Como o país é credor em moeda estrangeira, a alta do dólar eleva a dívida líquida.

A dívida bruta do governo geral (DBGG), que considera apenas os passivos dos governos federal, estaduais e municipais, alcançou R$ 10,4 trilhões em abril, ou 80,4% do PIB, aumento de 0,4 ponto percentual em comparação ao mês anterior.