Economia

Durigan defende taxação de ultrarricos e destaca potencial do Brasil em viagem

Por Agência Brasil 18/05/2026 15h03
Durigan defende taxação de ultrarricos e destaca potencial do Brasil em viagem

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta segunda-feira (18), em Paris, o avanço das discussões internacionais sobre a taxação de grandes fortunas e afirmou que apoiaria a inclusão do tema na pauta do G7, grupo que reúne as sete maiores economias desenvolvidas do mundo.

Em viagem à França para reuniões preparatórias da cúpula, Durigan participou de um evento promovido pela revista Le Grand Continent, ao lado do economista francês Gabriel Zucman, um dos principais defensores da criação de um imposto mínimo global sobre bilionários.

“Eu sou muito disposto a levar esse debate porque é um debate do nosso tempo. Agora, se tiver espaço para discutir justiça tributária, eu sou o primeiro a topar”, afirmou o ministro.

O encontro reuniu acadêmicos, políticos e representantes do setor econômico francês para debater tributação internacional e desigualdade. Zucman é autor de uma proposta que prevê um imposto mínimo global de 2% sobre patrimônios superiores a US$ 100 milhões.

O economista colaborou com o governo brasileiro durante a presidência do G20, formado pelas 19 maiores economias do planeta, além da União Europeia e União Africana, em 2024.

Durigan destacou ainda a experiência recente do Brasil com a aprovação, em 2025, da reforma do Imposto de Renda, que criou uma alíquota mínima progressiva sobre super-ricos. Segundo o Ministério da Fazenda, cerca de 142 mil pessoas devem ser alcançadas pela medida.

Apesar do apoio brasileiro, a proposta enfrenta resistência internacional, especialmente dos Estados Unidos. Ainda assim, o tema ganhou espaço no G20 durante a cúpula realizada no Rio de Janeiro. Na França, um projeto semelhante foi rejeitado pelo Senado, que previa taxação anual de 2% sobre patrimônios acima de 100 milhões de euros.

Durante a passagem por Paris, Durigan também buscou reforçar a imagem do Brasil como destino atrativo para investimentos estrangeiros. Segundo ele, o país vive um momento favorável em meio às tensões internacionais.

“Os ativos brasileiros ainda me parecem interessantes, como estão ainda baratos, me parece, uma chamada para investimento no Brasil”, afirmou.

O ministro destacou ainda o potencial do Brasil na produção de minerais críticos, como terras raras, nióbio e grafeno, considerados estratégicos para a indústria tecnológica e a transição energética.

“É fundamental dar segurança jurídica, por isso um novo marco que garanta procedimentos céleres e seguros”, disse Durigan. “A diretriz é reforçar esse papel e avançar para um estímulo à industrialização desses minerais no Brasil.”

Antes de retornar ao Brasil, Durigan terá uma reunião com Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), em Paris.

Apesar de a taxação dos ultrarricos ter dominado parte dos debates paralelos ao G7, a principal preocupação dos ministros das Finanças segue sendo o impacto econômico da guerra no Oriente Médio, especialmente os riscos para o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz.

“Tem sido muito importante ouvir os ministros e as lideranças de outros países, que estão sentindo o impacto da guerra de uma outra perspectiva”, relatou Durigan.

O ministro voltou a defender “subsídios limitados” aos combustíveis como forma de reduzir os impactos da crise energética sobre os preços domésticos.