Economia

Bolsa brasileira recua com tensão no Oriente Médio e alta do petróleo

Bolsa brasileira recua 1,19% em meio à alta do petróleo, temor inflacionário e saída de capital estrangeiro

Por Redação 12/05/2026 08h08
Bolsa brasileira recua com tensão no Oriente Médio e alta do petróleo
Ibovespa fecha em queda após avanço do petróleo e temor inflacionário global - Foto: Reprodução

O Ibovespa encerrou a segunda-feira (11) em queda de 1,19%, aos 181.908,87 pontos, pressionado pelo avanço das ações sensíveis aos juros e pelas preocupações com a inflação diante da escalada do petróleo no mercado internacional. O principal índice da bolsa brasileira registrou a menor pontuação de fechamento desde 27 de março.

Durante o pregão, o índice chegou à mínima de 181.614,83 pontos e atingiu máxima de 184.530,15 pontos. O volume financeiro movimentado na sessão foi de R$ 29,19 bilhões.

O cenário externo influenciou o desempenho do mercado. A alta do petróleo ganhou força após o agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã. O presidente norte-americano, Donald Trump afirmou que a resposta iraniana a uma proposta de paz apresentada por Washington foi “totalmente inaceitável” e declarou que o cessar-fogo está “em suporte de vida”.

Com isso, o barril do petróleo Brent fechou em alta de 2,88%, cotado a US$ 104,21. O avanço reforçou as preocupações do mercado com a inflação e com os próximos passos do Banco Central em relação à taxa Selic.

Além do cenário internacional, investidores acompanharam a temporada de balanços corporativos. Mesmo com resultados considerados robustos, as units do BTG Pactual recuaram 2,88%. O banco reportou recordes de lucro e receita no primeiro trimestre.

O diretor financeiro do BTG, Renato Cohn, afirmou que o Brasil ainda representa uma oportunidade relevante para investidores estrangeiros, apesar da redução recente no fluxo de capital externo para o mercado brasileiro.

Dados da B3 apontam saída líquida de R$ 3,3 bilhões de investidores estrangeiros nos primeiros pregões de maio. Em abril, o saldo ainda havia sido positivo em quase R$ 3,2 bilhões.

Entre as maiores quedas do dia esteve a Telefônica Brasil, dona da marca Vivo, que perdeu 6,1% após divulgar lucro abaixo das expectativas do mercado, apesar do crescimento anual de 19,2%.

A sessão também foi negativa para empresas ligadas ao consumo e dependentes do cenário de juros. A C&A caiu 7,69%, enquanto a Cogna recuou 6,38% e a Localiza perdeu 5,73%.

Na contramão, a Vale avançou 2,41%, beneficiada pela alta do minério de ferro na China. Já a Petrobras registrou ganhos com o avanço do petróleo no exterior.

A Minerva Foods também se destacou positivamente, com alta de 4,88%, impulsionada pela expectativa de ampliação das importações de carne bovina pelos Estados Unidos.

Analistas do BB Investimentos avaliam que o Ibovespa ainda mantém tendência principal de alta, embora sinais de volatilidade devam permanecer frequentes devido ao conflito no Oriente Médio, à proximidade das eleições e às incertezas econômicas globais.