Economia

Brasil já conta com 4,5 milhões de empreendedores acima dos 60 anos

Público movimenta R$ 2 trilhões na economia

Por Agência Brasil 20/04/2026 09h09 - Atualizado em 20/04/2026 09h09
Brasil já conta com 4,5 milhões de empreendedores acima dos 60 anos

O Brasil já soma 4,5 milhões de empreendedores na chamada Economia Prateada, segmento formado por pessoas com mais de 60 anos. Segundo o Sebrae Nacional, esse número cresceu 58,6% na última década. A entidade desenvolve programas voltados ao chamado empreendedorismo sênior, com foco em apoiar quem deseja investir em negócios próprios após os 60 anos.

Em 2025, o programa atendeu 869 mil pessoas e a meta para 2026 é alcançar 1 milhão de participantes. Para a gestora nacional do programa Empreendedorismo Sênior 60+, Gilvany Isaac, o avanço é resultado do desejo desse público de se manter ativo por mais tempo.

“Existe uma possibilidade de carreira, de continuidade. Tenho visto que as pessoas de 60 anos se identificam com um propósito. Elas querem algo que tenha a ver com a sua experiência, mas que também resolva problemas da comunidade”, afirma Gilvany.

Gilvany ressalta que há uma forte vocação desse público para atuar com saberes tradicionais e vocações locais. Seja no artesanato, na cultura de sementes ou de ervas medicinais, exemplos se multiplicam. No Sul do país, destaca-se a produção de artesanato a partir de redes de pesca por mulheres de comunidades pesqueiras.

“A geração 60+ tem um cuidado especial com o planeta, pois presenciou muitas transformações. Percebemos essa responsabilidade de integrar e manter o planeta vivo como conheceu”, relata Gilvany.

Dentre os setores mais procurados por esse público para empreender estão turismo, comércio e serviços. O Sebrae oferece mentorias e consultorias para quem deseja empreender ou abrir negócios voltados ao consumidor 60+. O índice de participação dos idosos é elevado e o de desistência, baixo.

“Eles são muito participativos. O Sebrae estrutura todo o projeto conforme as necessidades do empreendedor maduro, que quer aproveitar a vida sem dedicar todo o seu tempo ao negócio”, explica Gilvany.

O suporte é gratuito e vai desde o desenho da jornada até cursos e atendimentos individuais. O programa também promove eventos para fortalecer a rede de empreendedores e estimular a troca de experiências.

O avanço dos negócios liderados por pessoas com mais de 60 anos acompanha as transformações populacionais e do mercado de trabalho.

O aumento da expectativa de vida ao nascer – de 62,6 anos em 1980 para 76,4 anos em 2023 – impactou o mercado para a chamada Geração Prateada. Atualmente, um quinto da população brasileira em idade para trabalhar é composta por esse grupo, segundo estudo da pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), Janaína Feijó.

Os estados com as maiores proporções de idosos na População em Idade Ativa (PIA) em 2024 são Rio de Janeiro (24,1%), Rio Grande do Sul (23,7%) e São Paulo (21,7%). As menores proporções estão em Roraima (12%), Acre (12,4%) e Amazonas (13%).

“Ao contrário de estereótipos antigos que associavam o envelhecimento à inatividade ou dependência, a Geração Prateada é marcada por um perfil mais saudável, engajado e consumidor”, destaca Janaína.

Ela identifica dois perfis entre os idosos economicamente ativos: os que trabalham por necessidade de renda e os que permanecem ativos para manter vínculos profissionais e pessoais.

A pesquisadora ressalta que o etarismo – discriminação contra pessoas mais velhas – é um dos principais obstáculos à permanência dos 60+ no mercado de trabalho, e reforça a importância de combater esse preconceito tanto na sociedade quanto nas empresas.

“O Brasil está envelhecendo e não há jovens suficientes para repor essa mão de obra. Se não contarmos com os profissionais 60+, estaremos prejudicando o crescimento econômico do país”, alerta Janaína.

O empreendedorismo surge como alternativa para quem já se aposentou, mas quer continuar ativo. Janaína recomenda, porém, que o empreendedor 60+ busque a formalização para evitar situações de vulnerabilidade.