Economia
FMI projeta dívida do Brasil em 100% do PIB no próximo governo
Relatório indica avanço do endividamento antes da média global e alerta para riscos fiscais, juros altos e menor espaço para investimentos
O Brasil pode atingir uma dívida equivalente a 100% do Produto Interno Bruto (PIB) já no primeiro ano do próximo governo, de acordo com o Monitor Fiscal do Fundo Monetário Internacional (FMI). O indicador é considerado relevante para a credibilidade do país, embora investidores observem também a capacidade de pagamento — ponto que segue sob atenção.
Apesar de o governo cumprir as metas do Arcabouço Fiscal, isso tem ocorrido dentro da margem de tolerância e com forte aumento de arrecadação, além da exclusão de despesas como precatórios do limite de gastos.
Segundo o FMI, o país alcançará o patamar de 100% antes da média global, que deve chegar a esse nível até 2029. A projeção atual antecipa em um ano a estimativa feita anteriormente.
No caso brasileiro, o cenário é considerado mais sensível devido à deterioração das contas públicas. A dívida vem em trajetória de alta desde 2023 e pode atingir 96,5% do PIB ainda neste ano, conforme critérios do Fundo.
Dados do Prisma Fiscal de abril mostram melhora nas projeções do mercado para o déficit primário de 2026, que caiu de R$ 65,959 bilhões para R$ 59,019 bilhões. Já a estimativa da dívida bruta do governo geral recuou levemente, passando de 83,41% para 83,28% do PIB. Para 2027, a previsão também foi ajustada de 86,75% para 86,60%.
O FMI utiliza uma metodologia que inclui títulos do Tesouro em posse do Banco Central, o que difere dos cálculos oficiais brasileiros, mas permite comparações internacionais.
Mesmo com diferenças metodológicas, o Fundo projeta o maior nível de endividamento desde 2020, período da pandemia, quando a dívida brasileira chegou a 96% do PIB.
As novas estimativas pioram o cenário traçado anteriormente. Em outubro, a previsão era de que a dívida atingisse 98,1% apenas em 2030. Agora, o percentual pode chegar a 105,5% já no início da próxima década.
O organismo também alerta que o avanço da dívida pressiona inflação e juros, reduz o potencial de crescimento econômico e limita investimentos públicos. Caso não haja mudanças na condução fiscal, a dívida pode alcançar 106,5% do PIB até 2031, com alta de 12,6 pontos percentuais no atual governo.
Na gestão anterior, sob Jair Bolsonaro, o avanço foi inferior a 1 ponto percentual, segundo o FMI.
O Fundo também demonstra maior cautela em relação às metas fiscais, descartando superávit até o fim do atual mandato. A projeção é de déficit primário de 0,5% do PIB neste ano, após 0,4% no ano passado.
A partir de 2027, há expectativa de melhora gradual, com déficit de 0,4% do PIB e retorno ao superávit apenas em 2028, quando o saldo positivo deve chegar a 0,1% do PIB.

