Economia
Presidente da Colômbia defende Pix após críticas de Trump
Petro pediu adoção do sistema financeiro em seu país
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, saiu em defesa do Pix e afirmou que o sistema brasileiro de transferências instantâneas deveria ser adotado em seu país. A declaração foi feita em uma publicação na rede social X/Twitter em meio ao debate internacional sobre o impacto da ferramenta no mercado financeiro.
No post, Petro respondeu a comentários sobre declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que teria ameaçado impor sanções ao Brasil caso o Pix não fosse encerrado, sob a justificativa de que o sistema prejudica empresas de cartão de crédito como Visa e Mastercard.
Ao comentar o tema, o presidente colombiano classificou o modelo brasileiro como mais eficiente e criticou mecanismos utilizados pelos Estados Unidos no sistema financeiro global. Ele também fez duras críticas à lista de sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão ligado ao Tesouro norte-americano.
Segundo Petro, o mecanismo "já não é uma arma contra o narcotráfico" e estaria sendo utilizado como instrumento de controle político. O presidente afirmou ainda que grandes líderes do tráfico internacional conseguem driblar o sistema e viver com luxo fora de seus países, enquanto a ferramenta seria usada para pressionar adversários políticos ao redor do mundo.
La lista OFAC ya no es un arma contra el narcotráfico, el narcotráfico se burla de ella, y se hospedan en Dubai, allí compran residencia pot unos 4.000 dólares y viven en medio del lujo.
— Gustavo Petro (@petrogustavo) April 4, 2026
La OFAC solo sirve para perseguir oposiciones políticas y domesticarlas en el mundo. Es un… https://t.co/gzpzWU5pIE
Durante a publicação, Petro também defendeu uma governança global mais democrática e criticou conflitos internacionais, afirmando que guerras “não servem para nada” e geram prejuízos à humanidade.
As declarações ocorrem em um momento de crescente discussão sobre o papel do Pix no cenário financeiro global. Criado pelo Banco Central em 2020, o sistema se consolidou como um dos principais meios de pagamento no Brasil e vem sendo estudado para uso em transações internacionais.
Na última quarta-feira (1), um relatório divulgado pela Casa Branca voltou a apontar o PIX como prejudicial às grandes empresas de cartão de crédito.
"O Banco Central criou e regula o Pix; stakeholders dos EUA temem que o BC dê tratamento preferencial ao sistema, prejudicando fornecedores americanos de serviços de pagamentos eletrônicos. O uso do Pix é obrigatório para instituições com mais de 500.000 contas.
"Embora o documento que oficializou o processo não cite diretamente o Pix, há referência a serviços de pagamento eletrônico ligados ao Estado brasileiro.
"O Brasil parece se envolver em uma série de práticas desleais em relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo", disse o Escritório do Representante de Comércio dos EUA na época.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu às críticas e afirmou que o Brasil não pretende recuar no uso da ferramenta.
"Os Estados Unidos fizeram um relatório nesta semana sobre o Pix, disseram que o Pix distorce o comércio internacional, porque o Pix acho que cria problema para a moeda deles", introduziu Lula.
"O que é importante a gente dizer para quem quiser nos ouvir. O Pix é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira", completou o petista.
Na sequência, Lula disse que o governo brasileiro pode até aprimorar o sistema."aprimorar o Pix, para que, cada vez mais, ele possa atender às necessidades de mulheres e homens" que usam a ferramenta.
Enquanto isso, o Banco Central segue trabalhando na expansão do Pix, incluindo estudos para integração com sistemas de pagamento de outros países no futuro.
*Com informações de g1


