Economia

Preço de medicamentos hospitalares volta a subir no Brasil

Alta interrompe sequência de quedas e acende alerta para impacto de conflitos globais nos custos e insumos farmacêuticos

Por Redação com CNN Brasil 05/04/2026 15h03
Preço de medicamentos hospitalares volta a subir no Brasil
Segundo levantamento, preço dos medicamentos voltou a subir no Brasil em fevereiro - Foto: Reprodução/Shutterstock

Os preços de medicamentos negociados entre fornecedores e hospitais no Brasil registraram alta de 0,12% em fevereiro, segundo levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas em parceria com a Bionexo. O avanço interrompe uma sequência de nove meses consecutivos de queda no indicador.

De acordo com o IPM-H (Índice de Preços de Medicamentos para Hospitais), apesar da elevação pontual, o cenário ainda é de recuo no médio prazo. No acumulado de 12 meses até fevereiro, o índice apresenta queda de 1,96%, com retração em nove dos doze grupos terapêuticos analisados. Já no primeiro bimestre de 2026, a redução acumulada é de 0,58%.

A mudança de tendência ocorre em meio a pressões no cenário internacional, especialmente relacionadas ao conflito no Oriente Médio e às tensões envolvendo o Estreito de Ormuz — rota estratégica para o transporte de petróleo. A instabilidade pode afetar a produção de insumos farmacêuticos, já que países como Índia e China, principais fornecedores do Brasil, dependem diretamente dessa cadeia logística.

Para a gerente da Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos, Larissa Gomes, o impacto pode ser indireto, mas relevante. “Embora não seja o principal destino do setor, qualquer instabilidade prolongada na região pode gerar impactos indiretos sobre comércio internacional, fretes e disponibilidade de insumos”, afirmou.

O governo federal acompanha o cenário. Segundo a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda de Negri, ainda não há risco imediato de desabastecimento. “Pode haver algum impacto em termos de custo de produção e de custos logísticos, mas, por enquanto, não temos um alerta de que vai faltar medicamento”, disse.

Na avaliação do setor privado, o impacto inicial é mais econômico do que físico. A CEO da Bionexo, Solange Plebani, destaca que já há sinais de pressão nas negociações. “O impacto é econômico antes de ser físico: primeiro vem o aumento de custo e a volatilidade, depois, eventualmente, pode haver impacto na disponibilidade”, explicou.

Medicamentos de alto consumo, como antibióticos, analgésicos e insumos utilizados em UTIs, estão entre os mais sensíveis às oscilações. Isso ocorre porque a produção depende fortemente de cadeias globais: entre 90% e 95% dos Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) utilizados na América Latina são importados.

Para o diretor executivo da Bionexo, Herbert Cepêra, o monitoramento contínuo dos preços é essencial para antecipar tendências. “Em um mercado fortemente influenciado por fatores como câmbio e cadeias globais de produção, ter visibilidade sobre essas oscilações é fundamental para apoiar decisões de compra mais eficientes por parte dos hospitais”, afirmou.

Desde 2015, início da série histórica do IPM-H, o índice acumula alta de 45,5%, evidenciando uma pressão estrutural nos custos do setor de saúde no Brasil, que vai além dos impactos conjunturais recentes.