Economia
BC mantém postura cautelosa e diz que guerra exige juros restritivos
Guerra no Oriente Médio agravou o cenário inflacionário no Brasil, especialmente devido ao aumento do preço do petróleo
O Banco Central (BC) avaliou que a guerra no Oriente Médio agravou o cenário inflacionário no Brasil, especialmente devido ao aumento do preço do petróleo e ao possível repasse para os combustíveis. Por isso, a autoridade monetária afirmou que a política de juros precisará permanecer em patamar restritivo.
Segundo a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada após a reunião da semana passada — quando a taxa Selic foi reduzida de 15% para 14,75% ao ano, no primeiro corte em quase dois anos —, o BC considera que as expectativas de inflação voltaram a subir após o início do conflito no Oriente Médio.
De acordo com o documento, essas expectativas, que vinham em queda, agora permanecem acima da meta em todos os horizontes. Com isso, o ciclo de cortes deve ser mais contido do que se previa antes da crise provocada pelos ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, o que ampliou as incertezas com o fechamento do estreito de Ormuz.
O BC destacou que a inflação segue pressionada pela demanda, exigindo manutenção de juros elevados, embora reconheça que a política monetária tem sido fundamental para a recente desaceleração dos preços. Diferentemente do comunicado de janeiro, desta vez o Copom evitou sinalizar seus próximos passos.
Segundo apuração do G1, o comitê afirmou que a intensidade e a duração do ciclo de ajustes dependerão da evolução dos dados, reforçando que a prioridade é assegurar a convergência da inflação à meta.
As decisões seguem o sistema de metas, que desde 2025 é contínuo, com objetivo de 3% e tolerância entre 1,5% e 4,5%.
O BC ressaltou que a Selic tem efeito defasado entre seis e 18 meses, motivo pelo qual as decisões consideram projeções futuras — atualmente mirando o terceiro trimestre de 2027. Como a inflação ficou acima da meta por seis meses, a instituição teve de divulgar carta explicando os motivos.


