Economia
Endividamento atinge 83% das famílias em Maceió, aponta Fecomércio
Pesquisa da CNC e Fecomércio AL mostra aumento das dívidas, mas queda na inadimplência em fevereiro
A mais recente edição da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor revelou que 83,12% das famílias de Maceió estavam endividadas em fevereiro. O percentual representa aumento de 1,77 ponto percentual em relação a janeiro, quando o índice era de 81,35%.
O levantamento foi realizado pelo Instituto Fecomércio AL em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Apesar da alta no endividamento, a pesquisa aponta uma leve melhora na inadimplência: o percentual de famílias com contas em atraso caiu para 29,10%, ante 30,30% registrados no primeiro mês do ano.
Na comparação com fevereiro de 2025, o endividamento também avançou, passando de 79,60% para os atuais 83,12%. Já a inadimplência apresentou recuo significativo no período, saindo de 38% para 29,10%.
Segundo o assessor econômico do instituto, Lucas Sorgato, o aumento das dívidas está relacionado a uma continuidade das pressões financeiras típicas do início do ano.
“Se janeiro é marcado por despesas concentradas, como impostos, material escolar e mensalidades, fevereiro ainda carrega parte dessas obrigações parceladas, além da retomada gradual do consumo das famílias”, explicou.
A pesquisa também avaliou o nível de endividamento por intensidade. Entre famílias com renda de até 10 salários mínimos, houve crescimento de 1,98 ponto percentual no grupo considerado muito endividado, que chegou a 17,17%. O grupo de pouco endividados também aumentou, alcançando 37,90%.
Por outro lado, diminuiu a proporção de famílias que se classificam como mais ou menos endividadas ou sem dívidas. Para o economista, o avanço do grupo altamente endividado merece atenção.
“Para o comércio, esse dado é relevante porque famílias muito endividadas tendem a reduzir o consumo e têm maior risco de inadimplência, especialmente em períodos de juros elevados”, destacou Sorgato.
Outro indicador analisado pela pesquisa é o percentual de famílias que afirmam não ter condições de pagar suas dívidas. Em fevereiro, o índice caiu para 7,95%, levemente abaixo dos 8,33% registrados em janeiro. A redução pode estar relacionada à renegociação de débitos, cortes de gastos e priorização de contas consideradas mais urgentes.
Quando analisadas as faixas de renda, as famílias que ganham até 10 salários mínimos apresentaram queda na inadimplência, passando de 32,80% em janeiro para 30,78% em fevereiro. Já entre famílias com renda superior a 10 salários mínimos houve aumento das contas em atraso, que subiram de 4,90% para 6,10%.
“Mesmo consumidores com maior poder aquisitivo podem atrasar pagamentos quando várias obrigações financeiras se acumulam ao mesmo tempo”, concluiu o economista.
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