Economia
Especialista explica o que muda com a reforma tributária em Alagoas
Em entrevista ao programa Café na Fazenda, da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-AL), a assessora tributária da Fecomércio, Ana Kummer, esclareceu alguns pontos sobre o novo sistema
A reforma tributária é um tema que gera dúvidas e preocupações entre os empresários, mas é considerada fundamental para o crescimento do país e também para o desenvolvimento do estado.
Em entrevista ao programa Café na Fazenda, da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-AL), a assessora tributária da Fecomércio, Ana Kummer, esclareceu alguns pontos sobre a reforma tributária em Alagoas e no Brasil.
Segundo ela, reforma trata principalmente da tributação sobre o consumo. Alguns impostos continuam em vigor, como IPTU e Imposto de Renda. "A proposta busca substituir um sistema fragmentado por um modelo mais uniforme. O sistema antigo esbarra na complexidade, na cumulatividade e na insegurança jurídica", explicou Ana Kummer.
De forma geral, para os estados e para quem empreende, o principal impacto será a uniformização. A simplificação é um dos pilares da reforma, com o objetivo de reduzir processos administrativos e dar mais previsibilidade ao ambiente de negócios.
Embora haja receio sobre aumento da carga tributária, a assessora destacou que o que ocorre são ajustes estruturais. A reforma também pretende:
- Reduzir a guerra fiscal entre estados;
- Evitar a cobrança em cascata de impostos;
- Garantir maior previsibilidade na formação de preços;
- Unificar tributos no chamado IVA dual, composto pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).
Gestão de créditos será ponto central
Um dos aspectos mais importantes da nova sistemática será a gestão de créditos tributários. No novo modelo, o crédito ganha papel estratégico dentro das empresas.
Será necessário:
Reorganizar procedimentos internos;
Revisar contratos com fornecedores e clientes;
Ajustar a cadeia produtiva para o novo regime de créditos.
A reforma atingirá empresas de todos os portes. No entanto, o pequeno empresário tende a sentir mais os efeitos durante a fase de transição, especialmente na adaptação às novas regras de emissão de notas fiscais e na gestão de créditos.
Médias e grandes empresas, principalmente aquelas com centros de distribuição e operações interestaduais, também precisarão reforçar o compliance para se antecipar às mudanças e evitar riscos.
"Um dos desafios apontados é que muitos pequenos empresários ainda não têm acesso suficiente a informações ou a profissionais especializados preparados para esse novo cenário", destacou a especialista.
Implementação será gradual até 2033
A aplicação da reforma será gradual. A fase de transição já começou e, em janeiro de 2026, teve início o período de testes com a aplicação de alíquotas de IBS e CBS inferiores a 1%, com o objetivo de avaliar o funcionamento do novo modelo.
O calendário prevê:
2026: fase de testes já iniciada;
2027: novas etapas de implementação;
2033: conclusão definitiva da transição para o novo sistema tributário.
A expectativa é que, ao final do processo, o país conte com um sistema mais simples, transparente e previsível para empresas e consumidores.


