Economia

Especialista explica o que muda com a reforma tributária em Alagoas

Em entrevista ao programa Café na Fazenda, da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-AL), a assessora tributária da Fecomércio, Ana Kummer, esclareceu alguns pontos sobre o novo sistema

Por Redação 04/03/2026 16h04
Especialista explica o que muda com a reforma tributária em Alagoas
Segundo especialista, reforma vai afetar especialmente os pequenos empresários - Foto: Freepik

A reforma tributária é um tema que gera dúvidas e preocupações entre os empresários, mas é considerada fundamental para o crescimento do país e também para o desenvolvimento do estado.

Em entrevista ao programa Café na Fazenda, da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-AL), a assessora tributária da Fecomércio, Ana Kummer, esclareceu alguns pontos sobre a reforma tributária em Alagoas e no Brasil.

Segundo ela, reforma trata principalmente da tributação sobre o consumo. Alguns impostos continuam em vigor, como IPTU e Imposto de Renda. "A proposta busca substituir um sistema fragmentado por um modelo mais uniforme. O sistema antigo esbarra na complexidade, na cumulatividade e na insegurança jurídica", explicou Ana Kummer.

De forma geral, para os estados e para quem empreende, o principal impacto será a uniformização. A simplificação é um dos pilares da reforma, com o objetivo de reduzir processos administrativos e dar mais previsibilidade ao ambiente de negócios.

Embora haja receio sobre aumento da carga tributária, a assessora destacou que o que ocorre são ajustes estruturais. A reforma também pretende:

  • Reduzir a guerra fiscal entre estados;
  • Evitar a cobrança em cascata de impostos;
  • Garantir maior previsibilidade na formação de preços;
  • Unificar tributos no chamado IVA dual, composto pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).

Gestão de créditos será ponto central

Um dos aspectos mais importantes da nova sistemática será a gestão de créditos tributários. No novo modelo, o crédito ganha papel estratégico dentro das empresas.

Será necessário:

Reorganizar procedimentos internos;

Revisar contratos com fornecedores e clientes;

Ajustar a cadeia produtiva para o novo regime de créditos.

A reforma atingirá empresas de todos os portes. No entanto, o pequeno empresário tende a sentir mais os efeitos durante a fase de transição, especialmente na adaptação às novas regras de emissão de notas fiscais e na gestão de créditos.

Médias e grandes empresas, principalmente aquelas com centros de distribuição e operações interestaduais, também precisarão reforçar o compliance para se antecipar às mudanças e evitar riscos.

"Um dos desafios apontados é que muitos pequenos empresários ainda não têm acesso suficiente a informações ou a profissionais especializados preparados para esse novo cenário", destacou a especialista.

Implementação será gradual até 2033

A aplicação da reforma será gradual. A fase de transição já começou e, em janeiro de 2026, teve início o período de testes com a aplicação de alíquotas de IBS e CBS inferiores a 1%, com o objetivo de avaliar o funcionamento do novo modelo.

O calendário prevê:

2026: fase de testes já iniciada;

2027: novas etapas de implementação;

2033: conclusão definitiva da transição para o novo sistema tributário.

A expectativa é que, ao final do processo, o país conte com um sistema mais simples, transparente e previsível para empresas e consumidores.