Economia

Intenção de Consumo cai em Maceió e atinge 102,5 pontos

Pesquisa do Instituto Fecomércio AL e CNC aponta recuo anual de 11 pontos e maior cautela das famílias diante de inflação, crédito caro e impostos

Por Redação com assessoria 03/03/2026 14h02 - Atualizado em 03/03/2026 15h03
Intenção de Consumo cai em Maceió e atinge 102,5 pontos
Consumo em Maceió segue em queda, segundo Fecomércio-AL - Foto: Arquivo / Fecomercio

Mesmo com a desaceleração da inflação em alguns segmentos, o peso acumulado de impostos e despesas típicas do início do ano continua pressionando o orçamento das famílias em Maceió. É o que revela a pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), realizada pelo Instituto Fecomércio AL, em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Em fevereiro, o indicador marcou 102,5 pontos, o que representa uma queda de 11 pontos na comparação com o mesmo período de 2025, quando havia atingido 113,7 pontos. Em relação a janeiro deste ano, quando o índice registrou 103,6 pontos, houve leve recuo de 1,07%.

Apesar de permanecer acima da linha dos 100 pontos - limite técnico que separa satisfação de insatisfação - o cenário é de enfraquecimento da confiança. 

“Embora o índice ainda permaneça ligeiramente acima da linha dos 100 pontos, que tecnicamente delimita a zona de satisfação, o movimento evidencia enfraquecimento consistente da confiança das famílias”, avaliou o assessor econômico do Instituto Fecomércio, Lucas Sorgato.

Subíndices mostram perda de fôlego


Na decomposição do indicador, o subíndice de Emprego Atual registrou 121,7 pontos, com queda mensal de 2,25% e retração anual de 15,79%. Já o de Renda Atual ficou em 115,6 pontos, com recuo de 0,27% na comparação mensal e de 5,01% na anual.

A Perspectiva de Consumo caiu para 97,3 pontos, entrando na zona de insatisfação, após retração de 4,95% no mês e de 1,92% em doze meses. O subindicador de consumo atual apresentou recuperação mensal de 1,06%, embora ainda acumule queda anual de 8,32%.

Os dados refletem um consumo enfraquecido. Mesmo com melhora pontual influenciada pelo efeito sazonal do Carnaval, fatores como orçamento pressionado, crédito mais caro e menor previsibilidade profissional sustentam um ambiente de cautela.

Segundo Sorgato, Maceió acompanha a tendência nacional de moderação da confiança, porém com maior volatilidade. “Economias regionais com renda média mais baixa tendem a reagir de forma mais intensa às oscilações de crédito e inflação, o que amplifica os movimentos do índice local”, explicou.

Diferença por faixa de renda


As famílias com renda de até 10 salários-mínimos demonstraram maior sensibilidade às variações de preços. Nesse grupo, a confiança caiu de 99,9 pontos em janeiro para 98,9 pontos em fevereiro.

Entre as famílias com renda superior a 10 salários-mínimos, o índice recuou de 103,7 para 102,5 pontos no mesmo período, indicando comportamento mais estável, embora também impactado pela deterioração das expectativas profissionais.