Economia
Redução da jornada pode elevar custos em até R$ 267 bi, diz CNI
Levantamento aponta impacto de até 7% na folha com jornada de 40 horas e alerta para risco à competitividade da indústria
Levantamento divulgado nesta segunda-feira (23) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a proposta de reduzir a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode aumentar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais na economia brasileira.
Segundo a entidade, o impacto representa acréscimo de até 7% na folha de pagamentos. O debate sobre o fim da escala 6x1, tema presente na campanha eleitoral e nas redes sociais, pode avançar no Congresso Nacional em 2026.
De acordo com o presidente da CNI, Ricardo Alban, a mudança tende a elevar o custo unitário do trabalho e pressionar a competitividade das empresas.
“Essa dinâmica provoca queda da produção, do emprego e da renda e, consequentemente, do PIB brasileiro”, afirmou.
Dois cenários avaliados
A projeção considera duas possibilidades para manter o nível atual de horas trabalhadas: pagamento de horas extras aos empregados ou contratação de novos trabalhadores.
No setor industrial, o impacto pode chegar a 11,1% da folha salarial, com aumento estimado de R$ 87,8 bilhões anuais no cenário de horas extras e R$ 58,5 bilhões com novas contratações.
Dos 32 setores industriais analisados, 21 teriam elevação de custos acima da média da indústria, independentemente da estratégia adotada.
Impacto por setor
A estimativa da CNI aponta os seguintes aumentos de custos:
- Indústria da transformação: de 7,7% a 11,6%
- Indústria da construção: de 8,8% a 13,2%
- Comércio: entre 8,8% e 12,7%
- Agropecuária: entre 7,7% e 13,5%
Micro e pequenas empresas
Segundo a entidade, micro e pequenas empresas tendem a ser as mais afetadas, pois concentram maior proporção de trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas semanais e possuem menor capacidade financeira e estrutural para ampliar equipes.
A CNI ressalta que essas empresas representam 52% do emprego formal no país e alerta que a dificuldade de adaptação pode resultar em redução da produção, perda de competitividade e impacto negativo nos postos de trabalho.
Para a entidade, qualquer mudança na legislação trabalhista deve considerar as diferenças regionais, o porte das empresas e os efeitos sobre a geração de empregos formais e o desenvolvimento econômico.


