Economia

Veja como consultar dados oficiais sobre a saúde financeira do seu banco

Para consumidores e investidores, distinguir alertas reais de fake news é essencial para proteger o patrimônio

Por Agência Brasil 01/02/2026 09h09
Veja como consultar dados oficiais sobre a saúde financeira do seu banco
Para consumidores e investidores, distinguir alertas reais de fake news é essencial para proteger o patrimônio - Foto: Reprodução

Desde o fim de 2025, o Banco Central (BC) intensificou a liquidação de instituições financeiras, o que aumentou a circulação de notícias — nem sempre corretas — sobre a saúde de bancos. Para consumidores e investidores, distinguir alertas reais de fake news é essencial para proteger o patrimônio e tomar decisões seguras.

Existem ferramentas oficiais, indicadores públicos e sinais objetivos que permitem avaliar a situação financeira de um banco em funcionamento no Brasil. Nem toda notícia alarmista sobre instituições financeiras é verdadeira.

Antes de agir por impulso, consulte fontes oficiais, analise indicadores e desconfie de promessas exageradas. Informação de qualidade é a melhor defesa contra boatos e prejuízos.

Confira o passo a passo para checar se uma notícia negativa sobre seu banco é verdadeira ou apenas desinformação:

1. Confirme se o banco é autorizado pelo Banco Central

  • Verifique se a instituição é autorizada e supervisionada pelo Banco Central do Brasil.
  • Consulte o site do BC: Meu BC → Serviços → Encontre uma instituição.
  • Bancos não autorizados não podem operar no sistema financeiro nacional.

2. Utilize bases oficiais de dados

Três plataformas concentram informações confiáveis:

  • Central de Demonstrações Financeiras (CDSFN), do Banco Central: na mesma página do serviço Encontre uma Instituição. Caminho: digite o nome da instituição → clique no resultado → acesse a Central de Demonstrações Financeiras.
  • Site Banco Data: organiza dados financeiros de forma acessível, com esquemas visuais e cores (verde, laranja e vermelho) para indicar o risco de cada indicador.
  • Site de Relações com Investidores (RI) de cada instituição: todas as instituições autorizadas pelo BC devem manter uma página de RI com informações financeiras e resumos de fácil leitura. Busque pelo nome da instituição + RI em sites de pesquisa.

Esses sistemas permitem analisar balanços, resultados e indicadores de risco.

3. Avalie os principais indicadores de solidez

  • Índice de Basileia: mede a relação entre capital próprio e riscos assumidos.
      >> Mínimo exigido no Brasil: 11% para instituições em geral, 13% para bancos cooperativos.
          >> Índice confortável: acima de 15%.
          >> Um índice de Basileia de 11% indica que, para cada R$ 100 emprestados, a instituição tem 11% de recursos próprios. Quanto maior, mais capacidade o banco tem de absorver perdas.
  • Lucro líquido recorrente: lucros consistentes ao longo do tempo apontam boa gestão.
  • Inadimplência da carteira de crédito: percentual de empréstimos vencidos há mais de 90 dias. Índices elevados são sinal de risco.
  • Índice de imobilização: mostra quanto do capital está preso em ativos fixos (como imóveis). Valores altos reduzem a liquidez.
  • Rating de crédito: notas atribuídas por agências como Moody’s, S&P e Fitch. Rebaixamentos sucessivos são sinal de alerta. Vale lembrar que, no caso do Banco Master, várias agências atribuíram nota alta e risco baixo à instituição antes da liquidação.

4. Verifique a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)

Para investidores, é fundamental confirmar se o banco é coberto pelo FGC, que garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, com teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos.

O FGC cobre:

  • Contas correntes e poupança;
  • CDB e RDB;
  • Letras financeiras: LCI, LCA, LC, LH, LCD;
  • Depósitos a prazo;
  • Operações compromissadas com títulos elegíveis.
  • Em caso de liquidação, o FGC é o caminho para recuperar valores dentro do limite.

Não são cobertos pelo FGC:

  • CRI e CRA;
  • Debêntures;
  • Letras financeiras: LF, LI, LIG;
  • Títulos públicos (cobertos pelo Tesouro Nacional);
  • Títulos de capitalização;
  • Fundos de renda fixa (têm CNPJ separado e podem migrar de gestor);
  • Depósitos no exterior;
  • Depósitos judiciais.

O correntista deve estar ciente de que pode perder esses valores em caso de quebra da instituição.

5. Desconfie de rentabilidade fora do padrão

  • Bancos pequenos costumam oferecer taxas maiores que bancos grandes e de baixo risco.
  • Bancos em dificuldade podem oferecer taxas muito acima da média do mercado para captar recursos rapidamente.
  • Retornos extraordinários quase sempre vêm acompanhados de maior risco.
  • No caso de CDBs, a taxa máxima recomendada está em 115% do CDI. O Banco Master chegou a oferecer 140% do CDI.

6. Fique atento aos sinais de alerta

Não é possível prever com exatidão se um banco será liquidado, mas alguns indícios ajudam:

  • Queda contínua do Índice de Basileia;
  • Prejuízos recorrentes nos balanços;
  • Rebaixamento de rating;
  • Notícias sobre investigações ou intervenção;
  • Ofertas agressivas de captação;
  • Entrada em regimes especiais do Banco Central, como o Regime de Administração Especial Temporária (RAET).

No caso do Will Bank, liquidado recentemente, o Índice de Basileia estava negativo em 5,3% em junho de 2024. O Índice de Imobilização também estava negativo em 1,9% na mesma data, mesmo com lucro líquido de R$ 55,5 bilhões.

7. Compare com investimentos mais seguros

  • Tesouro Direto: risco de crédito considerado o menor do país;
  • CDBs, LCIs e LCAs de grandes bancos, com alta solidez e proteção do FGC.