Economia

Brasil registra segunda maior saída de dólares da história em 2025

Apesar do resultado expressivo, o real se valorizou ao longo do ano

Por Agência Brasil 07/01/2026 17h05
Brasil registra segunda maior saída de dólares da história em 2025
Em dezembro, o fluxo cambial ficou negativo em US$ 13,562 bilhões - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O Brasil encerrou 2025 com a segunda maior saída líquida de dólares desde o início da série histórica, em 1982, segundo dados preliminares divulgados nesta quarta-feira (7) pelo Banco Central (BC). O fluxo cambial total ficou negativo em US$ 33,316 bilhões, cifra superada apenas em 2019, quando a saída atingiu US$ 44,768 bilhões.

Apesar do resultado expressivo, o real se valorizou ao longo do ano, impulsionado por juros elevados no país e pela desvalorização do dólar no cenário internacional.

O desempenho negativo foi puxado principalmente pelo canal financeiro, que registrou saída líquida de US$ 82,467 bilhões em 2025 — a segunda maior da série histórica, ficando atrás apenas de 2024. Esse canal engloba investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucros, pagamentos de juros e outras operações financeiras.

Já o canal comercial apresentou entrada líquida de US$ 49,151 bilhões, valor insuficiente para compensar a forte evasão financeira. O saldo positivo ficou aquém do pico registrado em 2007 e também foi menor do que o observado em 2024.

Importações pesam no fluxo comercial

De acordo com o BC, o principal fator para a menor entrada de dólares pelo canal comercial foi o avanço das importações. O volume de câmbio contratado para compras externas alcançou US$ 238 bilhões, o segundo maior da série histórica, atrás apenas de 2022. As exportações somaram US$ 287,5 bilhões no ano. Diferentemente da balança comercial, que considera apenas operações concluídas, o fluxo cambial inclui pagamentos antecipados e adiantamentos de contratos de câmbio.

Apreciação do real

Mesmo com a expressiva saída de dólares no mercado à vista, o real se valorizou em 2025. Os juros elevados no Brasil e o enfraquecimento global do dólar estimularam posições favoráveis à moeda brasileira no mercado de derivativos, compensando o fluxo cambial negativo.

O Banco Central teve atuação limitada no mercado à vista, realizando apenas duas intervenções de US$ 1 bilhão cada, por meio do mecanismo conhecido como “casadão”. Nessa operação, o BC vende dólares das reservas internacionais e, simultaneamente, compra dólares no mercado futuro, via swaps cambiais reversos, no mesmo montante. O casadão permite aliviar a taxa de juros em dólar sem afetar diretamente o câmbio.

Saída em dezembro

Em dezembro, o fluxo cambial ficou negativo em US$ 13,562 bilhões, valor inferior ao registrado no mesmo mês de 2024, quando a saída atingiu US$ 27 bilhões. O resultado refletiu uma saída de US$ 20,982 bilhões pelo canal financeiro, parcialmente compensada por uma entrada de US$ 7,421 bilhões pelo canal comercial.

Tradicionalmente, dezembro concentra remessas ao exterior para pagamento de dividendos. Em 2025, os envios foram intensificados por empresas e investidores que buscaram antecipar o fim da isenção do imposto de renda sobre remessas internacionais, que passou a ser tributada a partir de janeiro de 2026.

Fluxo cambial antecipa balanço de pagamentos

As relações monetárias e financeiras entre residentes e não residentes são medidas pelo balanço de pagamentos, divulgado mensalmente pelo Banco Central. O fluxo cambial, no entanto, serve como uma prévia desses números, ao contabilizar adiantamentos de contratos de câmbio e pagamentos antecipados.