Economia
Braskem negocia com credores para evitar calote de US$ 140 milhões
Empresa enfrenta aperto de liquidez durante transição de controle para a IG4 Capital
A Braskem está em negociações com credores para evitar um possível calote de aproximadamente US$ 140 milhões referentes a juros de títulos de dívida emitidos no mercado internacional. O vencimento mais próximo ocorre em 10 de janeiro, em meio ao processo de transferência do controle da companhia da Novonor para a gestora IG4 Capital.
De acordo com informações publicadas nesta sexta-feira (2) pelo Estadão, a petroquímica enfrenta um quadro de forte restrição de liquidez durante a transição acionária. Como alternativa, a empresa pretende iniciar, no início de janeiro, tratativas com um grupo ad hoc de detentores de bonds — comitê de negociação que ainda está em fase de formação.
Caso o pagamento não seja realizado na data prevista, a Braskem entrará em inadimplência, com um período de carência de 30 dias para regularização antes que haja risco de vencimento antecipado de toda a dívida.
O cenário é considerado sensível diante de um endividamento bruto estimado em cerca de US$ 8,4 bilhões, com prazo médio de nove anos. A companhia avalia se utiliza recursos em um momento crítico da transição financeira ou se opta pelo não pagamento, o que poderia tornar o ambiente mais tenso para a condução de uma eventual reestruturação.
Segundo uma fonte ouvida pelo Estadão, a possibilidade de não pagamento já havia sido discutida internamente no início de novembro, embora nenhuma decisão tenha sido tomada até então.
Apesar das negociações previstas, uma parcela relevante dos credores já considera o calote um cenário provável, diante da liquidez limitada e da ausência de um diálogo mais avançado com a IG4 Capital. A gestora foi contratada pelos bancos credores da Novonor para assumir a participação na Braskem, mas só deve atuar diretamente na companhia após a conclusão da transferência acionária e a aprovação de um novo acordo de acionistas com a Petrobras, segunda maior sócia da empresa.
Neste estágio inicial, as conversas com os credores devem ser conduzidas pelo banco Lazard, com assessoria jurídica dos escritórios E. Munhoz e Cleary Gottlieb.
Pelo acordo já alinhado com a Petrobras, caberá à IG4 Capital assumir a gestão financeira da Braskem e liderar a reestruturação do passivo e da estrutura de capital. Ainda assim, credores demonstram incerteza quanto à condução do processo a partir de janeiro.
Apurações indicam que alguns detentores de bonds esperam que a empresa deixe de pagar os juros neste primeiro vencimento, mas avaliam que a aceleração das dívidas não seria uma medida racional, diante da intenção da IG4 de promover uma reestruturação profunda na companhia. Procurada, a Braskem não se manifestou.


