Economia

Favelas de Alagoas têm 245 mil pessoas e movimentam R$ 2,5 bilhões na economia do estado

Estudo Empreendedorismo nas Favelas de Maceió foi divulgado nesta quarta-feira (11) pelo Sebrae e o Instituto Locomotiva

Por Evandro Souza* 11/10/2023 14h02 - Atualizado em 11/10/2023 15h03
Favelas de Alagoas têm 245 mil pessoas e movimentam R$ 2,5 bilhões na economia do estado
Arte feita por Lucas "Inxame" durante apresntação do Estudo Empreendorismo nas Favelas de Alagoas - Foto: Evandro Souza

O Sebrae Alagoas em parceria com o Instituto Locomotiva, apresentou, na manhã desta quarta-feira (11), na sede do Instituto Guilherme Brandão, no Vale do Reginaldo, em Maceió, os resultados do Estudo Empreendedorismo nas Favelas de Maceió.

A intenção da pesquisa foi entender como os negócios funcionam dentro das comunidades, suas dinâmicas e o contexto da pouca visibilidade em que estão inseridos, uma vez que se encontram dentro das favelas alagoas. Além das entidades, estiveram no evento, lideranças comunitárias e instituições que apoiam a causa.

Segundo dados da pesquisa, em Alagoas, estima-se que mais de 245 mil pessoas morem em grotas e favelas, o que equivaleria a segunda maior população do estado, atrás apenas da capital, Maceió.

A economia nas comunidades no estado movimenta sozinha mais de R$ 2,5 bilhões por ano para os empreendedores de menor poder aquisitivo, aqueles com rendimento habitual mensal até R$ 2 mil.

A pesquisa aponta que desses empreendedores, 98% são de baixa renda, classes CDE, e que apenas 58% cursaram até o ensino médio, apresentando uma baixa escolaridade.

Idealizadora do projeto, Ana Sandes, acredita que amostra permita que entidades trabalhem de forma mais assertiva para a população


Uma das idealizadoras do projeto e analista do Sebrae, Ana Madalena Sandes Silva, expõe que essa pesquisa possibilita trabalhar de forma mais assertiva para a população, ciente das suas necessidades. ‘’A gente vai se moldar para trazer o formato que serve para eles, esse é o nosso objetivo”, explica Ana.

Rafael Nascimento viu em um trabalho voluntário uma oportunidade de abrir seu negócio

Segundo o Sebrae, a experiência que é vivida nas comunidades é individual de cada pessoa e, com isso, nem sempre o empreendedorismo na comunidade é planejado. A pesquisa apontou que 68% dos empreendedores das favelas alagoanas abriram seus negócios por necessidade e apenas 32% enxergaram uma oportunidade para abrir suas empresas.

Um dos participantes de projetos sociais, Rafael Nascimento é formado em Gestão de RH, vem da comunidade do Vergel do Lago, parte baixa de Maceió e começou sua jornada como voluntário, assessorando perfis curriculares dos participantes do Instituto Manda Ver. Ele percebeu nesse trabalho uma oportunidade de negócio e abriu uma empresa de mentoria para pessoas que estão buscando uma vaga no mercado de trabalho e ampliou seu leque de atuação para também atender empresas com cursos profissionalizantes e auxiliar quem já chegou no mercado de trabalho.

Dados

Os negócios nas periferias, em Alagoas, são cruciais para o orçamento doméstico de mais da metade dos empreendedores. Dados da pesquisa mostram que para 92% dos empresários, o faturamento representa, pelo menos, metade da renda domiciliar.

Mesmo com grande impacto na economia das famílias, a maioria dos negócios não possuem uma estruturação básica, 82% não possui CNPJ, mostra a pesquisa.

Entretanto, por falta de um auxílio educativo empresarial, o desinteresse pelo CNPJ deve-se principalmente a custos e a burocracia, revela também a pesquisa.

Segundo o levantamento, 76% dos moradores das favelas têm ou tiveram ou pretendem ter um negócio próprio e é o mercadinho de bairro, a venda da esquina, o salão da vizinha, pequenos empreendimentos que trazem o sustento de muitas famílias.

A pesquisa foi realizada entre janeiro a maio de 2023 e foi realizada nas Grotas da Alegria/Benedito Bentes, Grota do Cigano, Vergel, Reginaldo, Brejal/Levada, Virgem dos Pobres 1 e 2, Grota do Moreira, Pescaria/Litoral Norte, Denisson Menezes, Jacintinho e Vila Emater.

*Estagiário sob supervisão