Cooperativismo

Óleo de cozinha usado pode virar combustível de aviação no RS

Projeto em Rio Grande prevê coleta do resíduo para abastecer futura biorrefinaria, com operação planejada para 2029

Por Redação 23/10/2026 13h01
Óleo de cozinha usado pode virar combustível de aviação no RS
Óleo de cozinha usado pode virar combustível de aviação no RS - Foto: Reprodução

O óleo de cozinha usado em residências, restaurantes e cozinhas industriais poderá se transformar em matéria-prima para a produção de combustível sustentável de aviação em Rio Grande, no Rio Grande do Sul. A iniciativa faz parte dos preparativos para converter a Refinaria Riograndense na primeira biorrefinaria do país dedicada à produção de combustíveis 100% renováveis.

O projeto é desenvolvido em parceria entre a Refinaria Riograndense, a Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e a prefeitura do município. A proposta prevê a criação de uma Central Municipal de Referência para Coleta de Óleo de Cozinha Usado, além da organização de uma cadeia para recolher, certificar e fornecer o material à indústria.

Segundo o gerente de Novos Negócios da refinaria, João Luís Bulla, o óleo residual é uma matéria-prima estratégica para a fabricação do chamado SAF (Sustainable Aviation Fuel), combustível sustentável utilizado na aviação.

“O Brasil consome entre 4,5 e 4,7 milhões de toneladas de óleo por ano como alimento. Desse total, estima-se que seja possível recuperar cerca de um milhão de toneladas para uso industrial. É um material de grande valor para a indústria do biorrefino”, explica.

Projeto prevê coleta e certificação do material


A iniciativa pretende estruturar um sistema para recolher o óleo usado e encaminhá-lo à indústria em condições adequadas de aproveitamento. Além da coleta, o processo deverá garantir a rastreabilidade e a certificação internacional do material, requisitos para sua utilização na produção de combustíveis sustentáveis.

A Furg ficará responsável por mapear cooperativas, associações de catadores e possíveis fornecedores, além de desenvolver estudos e modelos de negócio para integrar essas organizações à cadeia produtiva. A prefeitura, por sua vez, deverá participar da estruturação da central municipal de recebimento e armazenamento, enquanto a refinaria será responsável por receber a matéria-prima.

Iniciativa busca ampliar renda de catadores


Além dos benefícios ambientais relacionados à destinação adequada do óleo de cozinha, o projeto pretende gerar oportunidades econômicas para cooperativas e trabalhadores da reciclagem.

De acordo com Bulla, a proposta busca valorizar um resíduo que frequentemente é descartado de maneira inadequada e inserir os catadores em uma cadeia produtiva mais estruturada.

A técnica-administrativa da Furg Lúcia Nobre e a professora Márcia Umpierre, do curso de Gestão de Cooperativas, participam da articulação com as cooperativas da região.

Biorrefinaria deverá consumir 800 mil toneladas por ano


A escala da futura unidade industrial evidencia a necessidade de diversificar as fontes de matéria-prima. Segundo a Refinaria Riograndense, a planta deverá consumir cerca de 800 mil toneladas de insumos renováveis por ano quando estiver operando em plena capacidade.

O óleo de cozinha usado não será suficiente para atender sozinho a essa demanda, mas deverá compor a matriz de insumos ao lado de matérias-primas como óleo de canola e outras culturas agrícolas.

“As biorrefinarias vão precisar de diferentes matérias-primas. O óleo usado é um componente importante desse processo e tem uma vantagem ambiental muito significativa”, afirma Bulla.

Operação está prevista para 2029


O projeto ainda está em fase inicial, e sua implementação definitiva depende da aprovação do investimento principal para a nova etapa da biorrefinaria. A decisão é esperada até o fim deste ano.

Caso o cronograma seja mantido, a estruturação da rede de fornecimento deverá avançar ao longo de 2027 e 2028. A previsão da Refinaria Riograndense é iniciar a operação da nova planta no começo de 2029, com produção comercial de combustíveis a partir de matérias-primas renováveis.