Cooperativismo
Cooperativas de consumo crescem 10,8% e chegam a 2,84 milhões de associados
Ramo movimentou R$ 7,86 bilhões em 2025, enquanto varejo brasileiro desacelerou
As cooperativas de consumo encerraram 2025 com 2,84 milhões de cooperados, um crescimento de 10,8% em relação ao ano anterior. Segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, publicado pelo Sistema OCB, o ramo reúne 191 organizações e movimentou R$ 7,86 bilhões no período.
A expansão ocorreu em um cenário de desaceleração do comércio varejista. De acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas do varejo nacional cresceram 1,6% em 2025, abaixo da alta de 4,1% registrada em 2024.
Diante desse contexto, as cooperativas enfrentam o desafio de ampliar a eficiência operacional, investir em tecnologia e adaptar seus serviços às mudanças no comportamento dos consumidores.
Diversidade de atividades
O ramo de consumo abrange diferentes segmentos econômicos. Conforme o levantamento do Sistema OCB, 28,3% das cooperativas atuam na educação, 24,6% em supermercados e 15,2% em farmácias. Vestuário e beleza representam 13,6% das organizações, enquanto equipamentos correspondem a 10,5% e atividades relacionadas a veículos, a 7,3%. Uma mesma cooperativa pode atuar em mais de uma área.
O desempenho desses mercados também variou em 2025. Dados do IBGE apontam crescimento de 4,5% nas vendas de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria. Já o segmento de tecidos, vestuário e calçados avançou 1,3%, enquanto hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo registraram alta de 0,8%.
As diferenças reforçam a necessidade de estratégias específicas para cada atividade, com atenção à gestão de estoques, à logística, à prestação de serviços e à digitalização.
Integração entre cooperativas
A cooperação entre organizações também integra as estratégias do setor. Segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, 50,8% das cooperativas de consumo realizaram negócios com cooperativas de crédito. O segmento de saúde aparece em seguida, com 23%.
A articulação entre diferentes ramos pode ampliar as possibilidades de compartilhamento de serviços, investimentos em tecnologia e desenvolvimento de estruturas operacionais, especialmente diante da expansão do número de cooperados e das exigências por maior eficiência.
Mudanças no consumo
As transformações no perfil dos domicílios brasileiros e a ampliação do acesso à internet também influenciam as estratégias das cooperativas. Conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) 2025, do IBGE, 19,7% dos domicílios do país eram habitados por apenas uma pessoa, ante 12,2% em 2012. Entre quem vivia sozinho, 41,2% tinha 60 anos ou mais.
No campo digital, 74,5% das pessoas com 60 anos ou mais utilizaram a internet em 2025, um aumento de 4,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Considerando a população com 10 anos ou mais, o acesso à internet ultrapassou 90% pela primeira vez.
Essas mudanças ampliam a necessidade de adaptar os canais de atendimento e as formas de comercialização. Compras on-line, aplicativos, retirada de produtos nas lojas e entregas em domicílio passaram a integrar de maneira mais permanente as operações do setor.
*Com informações da assessoria

