Cooperativismo
Cooperativa gaúcha com dívida de R$ 1,4 bilhão aprova dissolução
Cotribá, fundada há 115 anos, inicia processo de liquidação extrajudicial após ter pedido de recuperação judicial rejeitado pela Justiça
A Cooperativa Agrícola Mista General Osório (Cotribá), com sede em Ibirubá, no Rio Grande do Sul, aprovou por unanimidade a dissolução voluntária da instituição e o início do processo de liquidação extrajudicial. A decisão foi tomada na terça-feira (20), durante assembleia geral que reuniu cerca de 400 associados.
Fundada em 1911, a cooperativa enfrenta uma grave crise financeira, com passivo estimado em R$ 1,4 bilhão. A dívida envolve dezenas de instituições financeiras, fundos e centenas de produtores rurais.
Apesar da decisão, a Cotribá não prevê interromper imediatamente suas atividades comerciais. A estratégia é manter as operações no campo e a rede de atendimento enquanto avalia seus ativos, centraliza a renegociação de débitos e busca reduzir a pressão das cobranças e execuções judiciais.
A cooperativa possui mais de 60 pontos de negócios distribuídos por diferentes municípios gaúchos e conta com 11.393 associados.
Recuperação judicial foi negada
A decisão de iniciar a liquidação extrajudicial ocorreu após a Justiça do Rio Grande do Sul rejeitar o pedido de recuperação judicial apresentado pela instituição.
O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) entendeu que, por ter natureza jurídica de sociedade simples, a Cotribá não se enquadrava nas regras de recuperação judicial aplicáveis às sociedades empresárias. Com isso, a cooperativa ficou impedida de utilizar essa modalidade para tentar reorganizar suas finanças judicialmente.
Presidente executivo será o liquidante
A condução do processo ficará sob responsabilidade de Sergio Strentzke, atual presidente executivo da Cotribá, eleito formalmente como liquidante. Ele ficará encarregado de administrar a transição e a reorganização patrimonial da instituição.
Strentzke assumiu o comando após mudanças recentes na diretoria, que incluíram a renúncia da antiga gestão em meio ao agravamento da crise financeira.
Conforme o modelo aprovado pelos associados, a administração deverá prestar contas periodicamente sobre o andamento da liquidação. As assembleias para apresentação de relatórios e balanços estão previstas para ocorrer a cada seis meses ou sempre que houver necessidade.
