Cooperativismo
77% das cooperativas estão abertas à inovação, aponta pesquisa
Levantamento do Sistema OCB mostra que falta de recursos e ausência de metas formais dificultam avanços no setor
A maioria das cooperativas brasileiras demonstra disposição para inovar, mas ainda enfrenta dificuldades para incorporar a inovação ao planejamento estratégico, ao orçamento e à estrutura de gestão. É o que aponta a 3ª Pesquisa de Inovação no Cooperativismo Brasileiro, publicada pelo Sistema OCB na segunda-feira (19), com a participação de mais de mil cooperativas de todas as regiões do país.
De acordo com o levantamento, 77% das organizações se consideram abertas à inovação, mas apenas 13,6% possuem metas formalizadas e acompanhamento dos resultados. Além disso, 37,2% não têm uma área dedicada ao tema, 48% destinam menos de 1% do orçamento ou nenhum recurso à inovação e somente 36% incluem o assunto no planejamento estratégico.
Os dados indicam que o interesse em adotar novas soluções ainda não se traduz, necessariamente, em políticas estruturadas. A pesquisa associa maior maturidade à presença de equipes especializadas, participação da liderança, investimentos e monitoramento dos projetos.
Inteligência artificial
Apesar das limitações organizacionais, a adoção de novas tecnologias já faz parte da rotina de muitas cooperativas. Segundo a pesquisa, 60,9% utilizam alguma solução de inteligência artificial, incluindo chatbots, assistentes virtuais, ferramentas generativas, análise de dados e automação de processos.
A maioria das organizações, entretanto, mantém um número reduzido de iniciativas: 56,9% desenvolvem de um a cinco projetos de inovação. Em 45,1% das cooperativas, as decisões estratégicas sobre o tema ficam concentradas na diretoria ou presidência. Outros 20,4% compartilham essa responsabilidade entre a alta liderança e uma área ou comitê especializado, enquanto 17,1% não possuem responsáveis formalmente designados.
A capacitação também apresenta diferenças entre as organizações. Um quarto delas conta com programas contínuos de formação em inovação, enquanto 35% realizaram ações pontuais. Outros 19% discutiram o assunto, mas ainda não colocaram iniciativas concretas em prática.
Falta de recursos
O orçamento é apontado como o principal obstáculo para a implementação de projetos inovadores, citado por 51,1% das cooperativas. A resistência à mudança aparece em seguida, com 47,3%, acompanhada pela falta de conhecimento (35,9%), pela complexidade tecnológica (31,6%) e pelo desinteresse dos cooperados (30,8%).
A percepção sobre a posição competitiva do setor também revela desafios. Metade das respondentes (50,3%) acredita estar atrás dos concorrentes em inovação, enquanto 26,3% se consideram no mesmo nível e 23,5% avaliam estar à frente. Na comparação com outras cooperativas, 40% também afirmam estar em posição inferior.
Entre os resultados já identificados nos projetos de inovação, a melhoria de processos e a redução de custos lideram, mencionadas por 44% das participantes. Por outro lado, 26,2% ainda não identificaram impactos associados às iniciativas, e 9,1% apontaram a entrada em novos mercados.
Acesso ao fomento
A dificuldade de financiamento é acompanhada pelo desconhecimento sobre mecanismos de apoio à inovação. Conforme o levantamento, 79,8% das cooperativas conhecem pouco ou não conhecem o ecossistema de fomento. Desse total, 44,3% afirmam desconhecer essas oportunidades e 35,4% estão começando a conhecê-las.
Apenas 10,3% dizem conhecer as principais fontes de financiamento disponíveis. Além disso, 6,6% já participaram de editais ou programas de apoio, enquanto 3,2% captam recursos de fomento com frequência.
A falta de informação sobre as oportunidades é a principal barreira para acessar esses mecanismos, citada por 56,3% das respondentes. A ausência de uma equipe interna dedicada à captação aparece em 42,5% dos casos, e 37,8% relatam dificuldades para elaborar projetos técnicos. A burocracia é mencionada por 23,9%.
*Com informações da assessoria
