Cooperativismo

Saiba como cooperativas de crédito protegem os recursos dos associados

Centrais cooperativas, fiscalização do Banco Central e cobertura do FGCoop compõem estrutura de segurança, enquanto governança e gestão de riscos ajudam a manter a solidez do setor

Por Redação 15/10/2026 12h12
Saiba como cooperativas de crédito protegem os recursos dos associados
Como cooperativas de crédito protegem os recursos dos associados - Foto: Reprodução

Em meio a questionamentos sobre a segurança dos recursos depositados em instituições financeiras, as cooperativas de crédito contam com mecanismos próprios de supervisão e proteção. A estrutura reúne o acompanhamento das centrais cooperativas, a fiscalização do Banco Central e a cobertura do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop), além de exigir controles internos e gestão responsável das instituições.

A dimensão do setor reforça a importância desses mecanismos. Em 2025, o Sicoob encerrou o ano com R$ 430,1 bilhões em ativos e 9,7 milhões de cooperados. O Sicredi registrou R$ 455 bilhões em ativos, enquanto a Unicred alcançou R$ 35 bilhões e o Sistema Ailos, R$ 28,6 bilhões. Já a Cresol reúne mais de um milhão de cooperados, com atuação em diferentes segmentos, especialmente pequenos negócios e agricultura familiar.

Centrais atuam na prevenção de riscos


Parte da estrutura de segurança está na organização das cooperativas em sistemas. As centrais reúnem cooperativas singulares e oferecem suporte administrativo, tecnológico e operacional, além de acompanhar a gestão de riscos das instituições filiadas.

Segundo Luís Alberto Pereira, presidente do Sistema OCB/GO, esse acompanhamento ajuda a identificar dificuldades e permite agir preventivamente antes que os problemas comprometam a continuidade das operações.

“Uma cooperativa que está inserida num sistema robusto tem o suporte necessário em diversas áreas. A central pode ser considerada o primeiro nível de fiscalização que a cooperativa tem, atuando como uma espécie de auxiliar do Banco Central”, afirma.

O dirigente também destaca que o suporte do sistema pode contribuir para evitar que dificuldades enfrentadas por uma cooperativa resultem em prejuízos aos associados.

FGCoop garante cobertura dentro dos limites


A proteção dos recursos depende de mecanismos complementares. Enquanto as centrais acompanham suas filiadas, o Banco Central estabelece regras prudenciais, fiscaliza o cumprimento das normas e supervisiona as instituições sob sua competência.

Outra camada de proteção é o Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop), que cobre depósitos e créditos elegíveis de até R$ 250 mil por associado, por instituição ou conglomerado, conforme as regras aplicáveis. A garantia não abrange, porém, todos os tipos de investimento ou a totalidade dos recursos mantidos pelos cooperados.

Para Marcelo Baiocchi Carneiro, presidente do Conselho de Administração do Sicoob Nova Central, a proximidade entre as centrais e as cooperativas favorece o acompanhamento das operações e a adoção de medidas preventivas.

Em 2025, o Sicoob Nova Central encerrou o exercício com 351.291 cooperados e 31 cooperativas filiadas, distribuídas por 13 estados e 159 municípios. Os ativos somaram R$ 21 bilhões, enquanto o patrimônio líquido chegou a R$ 775 milhões. Nos cinco anos anteriores, a central realizou três incorporações de cooperativas.

Crescimento exige governança e transparência


A organização em sistemas não elimina os riscos próprios da atividade financeira. A solidez de cada cooperativa também depende de capital adequado, liquidez, qualidade da carteira de crédito, controles internos e transparência na tomada de decisões.

Com a expansão do setor, esses cuidados se tornam ainda mais importantes para garantir que o crescimento das operações seja acompanhado pela capacidade de administrar riscos e prestar contas aos associados.

“Um dos pontos centrais é manter padrões consistentes de governança, com clareza de papéis e responsabilidades, decisões fundamentadas em dados, prestação de contas e atuação efetiva dos órgãos de administração e fiscalização”, afirma Marcelo Baiocchi.

Uma característica do cooperativismo de crédito é que os associados não são apenas clientes, mas também donos das instituições. Por isso, a participação nas decisões e o acesso às informações sobre a gestão são elementos importantes para a confiança no modelo.

Celso Figueira, presidente da Central Sicredi Brasil Central, ressalta que a transparência sobre o planejamento e os rumos da instituição contribui para fortalecer essa relação.

“Todo o planejamento da cooperativa e do seu desenvolvimento tem que ser de conhecimento dos associados da cooperativa. Assim, nós vamos ter uma relação de confiança que vai nos permitir ser sustentáveis e continuar esse crescimento vertiginoso que as cooperativas estão tendo nos últimos anos”, afirma.

Incorporações fazem parte da estratégia


A união entre cooperativas também é utilizada pelo setor. Além de possibilitar a reorganização de instituições que enfrentam dificuldades, as incorporações podem ampliar a capacidade operacional, reunir patrimônios e abrir espaço para a atuação em novos mercados.

Segundo Celso Figueira, essas operações também podem ser adotadas como estratégia de expansão, permitindo que as instituições ampliem seus limites operacionais e alcancem novos públicos.

“Em muitas oportunidades, as cooperativas se unem estrategicamente para alcançar mercado, para aumentar seus limites operacionais e juntar patrimônios”, explica.

Apesar dos benefícios, a expansão não substitui a necessidade de fiscalização e gestão prudente. A prevenção de problemas e a proteção dos recursos dos associados dependem da combinação entre supervisão, mecanismos de garantia, governança e participação dos cooperados.