Cooperativismo

Soli3 obtém crédito de R$ 150 milhões do BNDES para usina de biodiesel

Projeto de R$ 1,25 bilhão prevê processamento de 1 milhão de toneladas de soja por ano e início das operações até maio de 2028

Por Redação 14/10/2026 11h11
Soli3 obtém crédito de R$ 150 milhões do BNDES para usina de biodiesel
Soli3 obtém crédito de R$ 150 milhões do BNDES para usina de biodiesel - Foto: Reprodução

A Soli3 União Central Cooperativa obteve aprovação de um limite de crédito de R$ 150 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a compra de máquinas e equipamentos destinados a uma unidade de processamento de soja em construção. O empreendimento faz parte de um projeto de R$ 1,25 bilhão que marcará a entrada da cooperativa no mercado de biodiesel.

Formada pelas cooperativas gaúchas Cotrijal, Cotripal e Cotrisal, a Soli3 receberá recursos do Fundo Clima, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e operacionalizado pelo BNDES. O financiamento foi aprovado pelo programa Fundo Clima – Máquinas Verdes, que apoia iniciativas voltadas à transição para uma economia de baixo carbono. O prazo para utilização do crédito é de dois anos, com possibilidade de prorrogação por mais 12 meses.

Além de agregar valor à soja produzida pelos cooperados, o projeto busca reduzir as emissões de gases de efeito estufa e contribuir para a adaptação às mudanças climáticas.

Segundo Germano Döwich, presidente da Cotripal e da Soli3, a previsão é produzir anualmente 225 mil metros cúbicos de biodiesel. O dirigente também estima que a operação permitirá evitar emissões equivalentes a cerca de 360 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) por ano.

“O investimento ocorre em um momento em que as cooperativas singulares (Cotrijal, Cotripal e Cotrisal) reconhecem a industrialização como caminho necessário para o crescimento do cooperativismo gaúcho”, afirmou Döwich ao Valor.

Capacidade industrial e logística


Constituída em 2024, a Soli3 foi criada para atuar como braço industrial das cooperativas associadas, transformando a produção agrícola em farelo e óleo de soja, biodiesel e glicerina.

A planta terá capacidade para processar 1 milhão de toneladas de soja por ano e contará com um terminal ferroviário próprio para o transporte de farelo, soja, óleo degomado e biodiesel. A conclusão das obras está prevista para maio de 2028.

De acordo com Döwich, o planejamento já contempla a possibilidade de duplicar a capacidade de esmagamento da unidade. O terminal ferroviário também poderá viabilizar novos negócios, como o transporte de fertilizantes no frete de retorno, reduzindo custos logísticos.

Além do financiamento do BNDES, o projeto já obteve aprovação de créditos do Banrisul e do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). A cooperativa também negocia recursos com a agência de fomento Badesul.

Demanda por financiamentos verdes


Apesar das restrições de crédito enfrentadas pelo agronegócio, a procura por financiamentos voltados a projetos sustentáveis permanece elevada, segundo José Luís Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES.

O executivo afirmou que o setor tem buscado recursos para iniciativas de agregação de valor, biocombustíveis e transição energética. Ele também destacou a ampliação do Fundo Clima, cujo orçamento, segundo o banco, passou de uma faixa de R$ 400 milhões a R$ 600 milhões antes de 2023 para R$ 27 bilhões.

Em 2025, o fundo dispunha de R$ 14,03 bilhões, dos quais R$ 12,55 bilhões foram contratados. Com base na demanda registrada, Gordon estima que os R$ 27 bilhões previstos para 2026 sejam integralmente utilizados ao longo do ano.