Cooperativismo

Cooperativismo reúne 29 milhões de brasileiros e movimenta R$ 841 bilhões

Dados do Anuário Coop 2026 mostram que setor gerou 613 mil empregos formais

Por Redação 03/08/2026 10h10
Cooperativismo reúne 29 milhões de brasileiros e movimenta R$ 841 bilhões
Tania Zanella, presidente executiva do Sistema OCB - Foto: Divulgação

O cooperativismo brasileiro alcançou a marca de 29 milhões de cooperados em 2025, o equivalente a aproximadamente um em cada sete brasileiros. Os dados fazem parte do Anuário Coop 2026, divulgado pelo Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras).

O número representa um crescimento de 12,5% em relação a 2024. No ano passado, o setor movimentou R$ 841 bilhões e voltou a crescer também em quantidade de organizações. Atualmente, o Brasil possui 4,4 mil cooperativas distribuídas em 3.425 municípios.

Para a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, o avanço reflete a adesão de mais brasileiros a um modelo baseado na cooperação e no desenvolvimento coletivo.

“Cada novo cooperado representa alguém que escolheu participar de um modelo baseado na cooperação, na geração compartilhada de riqueza e no desenvolvimento das comunidades. O crescimento econômico das cooperativas demonstra que é possível conciliar competitividade, inclusão e prosperidade”, afirmou.

O Anuário também apontou crescimento no número de empregos gerados pelo setor. O cooperativismo fechou 2025 com 613 mil postos de trabalho formais, alta de 6% em relação ao ano anterior. As mulheres representam 53% da força de trabalho nas cooperativas.

O patrimônio do setor chegou a R$ 1,6 trilhão em ativos. O ramo de Crédito concentra 72% desse total, enquanto o Agropecuário lidera em geração de receitas e empregos, com cerca de 277 mil postos de trabalho.

Atuação no campo


Segundo Tania Zanella, o cooperativismo agropecuário atua em diferentes etapas da cadeia produtiva, oferecendo desde o fornecimento de insumos até assistência técnica aos produtores.

“Desde a questão de insumo até a assistência técnica. Hoje, temos mais de 8 mil técnicos agrícolas que prestam apoio a esse cooperado, para aumentar o relacionamento direto com o produtor e também agregar valor a esse produto”, explicou.

O crescimento do cooperativismo tem sido contínuo nos últimos anos. Em 2019, o país registrava 15,5 milhões de cooperados. Seis anos depois, o número chegou a 29 milhões, o que representa um aumento de 87%.

Para a presidente da OCB, os resultados demonstram a ampliação da participação do modelo na economia brasileira e nas comunidades.

“O cooperativismo cresce em escala, amplia sua participação na economia e fortalece seu impacto nas comunidades. São resultados que demonstram a capacidade das cooperativas de gerar renda, emprego, crédito, produção e desenvolvimento em todas as regiões do Brasil”, disse.

 Meta de R$ 1 trilhão

Para os próximos anos, a OCB estabeleceu a meta de alcançar R$ 1 trilhão em receitas até 2028. A organização também pretende ampliar a participação feminina em cargos de liderança nas cooperativas.

Tania Zanella, primeira mulher a ocupar a presidência da Organização das Cooperativas Brasileiras, destacou que a presença feminina ainda é reduzida nos principais postos de decisão.

“Hoje, apenas 20% dos cargos de presidência ou de conselho são ocupados por mulheres”, afirmou.

Uma das iniciativas voltadas ao aumento da participação feminina é o Elas pelo Coop, comitê responsável pela criação de políticas e programas de incentivo à presença de mulheres no cooperativismo.

A sustentabilidade e a bioeconomia também estão entre as prioridades da OCB. Segundo Tania, o crescimento do setor deve conciliar viabilidade econômica, justiça social e responsabilidade ambiental.

“O que a gente sempre fala é que a cooperativa precisa ser economicamente viável, socialmente justa, porque é uma reunião de pessoas, e também ambientalmente correta. Estamos dentro da agenda ambiental e queremos elevar os índices de sustentabilidade e diversidade do Brasil”, pontuou.

De acordo com a presidente, cooperativas de diferentes segmentos já participam do mercado de carbono e desenvolvem iniciativas voltadas à sustentabilidade.