Cooperativismo

Cooperativas de reciclagem geram renda e fortalecem inclusão em Alagoas

Trabalho é desenvolvido no estado por mais de dez cooperativas de catadores distribuídas em diferentes regiões do estado

Por Redação com assessoria 08/06/2026 14h02
Cooperativas de reciclagem geram renda e fortalecem inclusão em Alagoas
Cooperativas de materiais recicláveis geram renda e fortalecem preservação ambiental em Alagoas - Foto: Assessoria

Em Alagoas, o trabalho de cooperativas de reciclagem vem transformando o cenário local de oportunidades de crescimento e também tem fortalecido a inclusão produtiva e a conscientização sobre a preservação ambiental.

Por meio da coleta, triagem e comercialização de materiais recicláveis, as cooperativas contribuem para reduzir o volume de resíduos destinados aos aterros sanitários, fortalecer a economia circular e promover o desenvolvimento nas comunidades onde atuam. Mais do que dar um destino adequado aos resíduos, elas mostram como o cooperativismo pode unir impacto econômico, social e ambiental em um mesmo modelo de negócio.

O trabalho é desenvolvido no estado por mais de dez cooperativas de catadores distribuídas em diferentes regiões do estado. Juntas, essas organizações fortalecem a coleta seletiva, promovem a inclusão produtiva e contribuem para a geração de renda de centenas de famílias que encontram no cooperativismo uma oportunidade de trabalho digno e organizado.

Aliadas do meio ambiente

O impacto das cooperativas de reciclagem vai muito além dos benefícios econômicos gerados para seus cooperados. Ao desviarem materiais dos aterros sanitários, elas exercem um papel estratégico na cadeia ambiental, prolongando a vida útil dessas estruturas, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa gerados pela decomposição dos resíduos e diminuindo a pressão sobre os recursos naturais ao reinserirem materiais na cadeia produtiva.

Plástico, papel, metal e vidro coletados e triados pelas cooperativas retornam à indústria como matéria-prima, substituindo a extração de novos recursos e reduzindo o consumo de energia nos processos produtivos. É a economia circular na prática, um ciclo em que o resíduo de uma etapa se torna insumo de outra, gerando menos impacto ambiental e mais valor econômico.

Além da coleta, as cooperativas também atuam como agentes de conscientização ambiental nas comunidades onde estão inseridas. Mariana da Silva, cooperada da Cooperativa de Trabalho dos Catadores de Materiais Recicláveis de Marechal Deodoro (Coopmar), descreve como esse trabalho se estende para além dos galpões de triagem.

"A cooperativa ajuda a gente, ajuda a população, o meio ambiente e a natureza. A gente vai às escolas e às casas, ensinando as pessoas a separar os materiais corretamente", conta.

Em diferentes regiões de Alagoas, essas cooperativas desenvolvem iniciativas voltadas à conscientização ambiental e ao incentivo à coleta seletiva. É o caso da Cooperativa de Recicladores de Alagoas (Cooprel), da Cooperativa de Recicladores de Lixo Urbano de Maceió (Cooplum), da Cooperativa de Catadoras da Lagoa Mundaú (CoopMundaú), da Cooperativa de Catadores da Vila Emater (Coopvila), da Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis de Arapiraca (Comar), da Cooperativa Alagoana dos Catadores de Materiais Recicláveis do Litoral Norte (Coopernorte) e da Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis de Campo Alegre (Coopecmarca), entre outras. Elas realizam atividades em escolas e nas comunidades, orientando a população sobre a separação correta dos resíduos e a importância da reciclagem para o meio ambiente.

A presença das cooperativas nos territórios também contribui para reduzir problemas urbanos diretamente ligados ao descarte inadequado de resíduos, como o entupimento de bueiros e o acúmulo de lixo em áreas de risco, fatores que agravam enchentes e favorecem a proliferação de doenças.

"A importância da cooperativa para a sociedade é ajudar a manter a natureza mais limpa, cuidar do meio ambiente, evitar bueiros entupidos e reduzir o volume de resíduos nos aterros", reforça a cooperada.

Cooperativismo que transforma vidas

Na Cooperativa de Trabalho dos Catadores de Materiais Recicláveis de Marechal Deodoro (Coopmar), a transformação pode ser percebida na história de vida dos próprios cooperados. Mariana conta que o ingresso na cooperativa mudou sua trajetória profissional e pessoal.

"Depois que eu entrei na cooperativa, minha vida mudou. Hoje eu tenho uma renda fixa e consigo cuidar melhor do meu filho. Foi o meu primeiro emprego e aqui eu tive uma oportunidade", afirma.

A transformação percebida na vida dos cooperados também se reflete nos indicadores do setor. De acordo com o Anuário da Reciclagem 2024, a renda média dos catadores mapeados em Alagoas é de R$ 1.424,29, valor superior à média nacional de R$ 1.305,65.

O dado demonstra a relevância das cooperativas para a inclusão produtiva no estado e, ao mesmo tempo, aponta para um desafio permanente: criar condições para que esses resultados continuem evoluindo por meio da profissionalização, da melhoria dos processos e do fortalecimento da gestão.

Capacitação para gerar mais oportunidades

É nesse contexto que o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo em Alagoas (Sescoop/AL) disponibiliza soluções voltadas ao fortalecimento dos negócios cooperativos, abrangendo áreas como gestão, governança, educação cooperativista, formação profissional, desenvolvimento de lideranças, inovação e sustentabilidade.

O objetivo é contribuir para que esses grupos ampliem sua capacidade de gerar renda, acessar novos mercados, aprimorar seus processos e fortalecer sua sustentabilidade econômica. Para o superintendente do Sescoop/AL, Adalberon Sá Júnior, os indicadores demonstram o potencial das cooperativas, mas também reforçam a importância do investimento contínuo em sua evolução.

"Nosso papel na prestação de serviços às cooperativas é criar condições para que esses resultados continuem evoluindo. Por meio da capacitação dos cooperados, do fortalecimento da gestão e do desenvolvimento dos negócios cooperativos, o Sescoop/AL atua para que essas cooperativas sejam cada vez mais sustentáveis, competitivas e capazes de gerar mais renda e oportunidades para seus membros", afirma.

Esse compromisso também se reflete em iniciativas específicas promovidas pelo Sescoop/AL. Um exemplo foi o evento Impulsiona Coop: Negócios Sustentáveis e o Futuro da Reciclagem, realizado em 15 de maio deste ano, que reuniu cooperativas e representantes do setor para discutir oportunidades de mercado, profissionalização, acesso a novos negócios e estratégias para ampliar a geração de renda.

"Para que uma cooperativa seja forte e sustentável, ela precisa estar preparada para enfrentar desafios, identificar oportunidades e se adaptar às mudanças do mercado. O Sescoop/AL atua justamente nesse sentido, contribuindo para o fortalecimento da gestão e para o desenvolvimento das cooperativas”, destaca Adalberon Sá Júnior.