Cooperativismo

Cooperativas propõem Plano Safra de R$ 674 bilhões para ampliar crédito rural

A avaliação do setor é que o fortalecimento das cooperativas amplia a capilaridade do crédito, reduz riscos e melhora a eficiência da política agrícola, especialmente para pequenos e médios produtores

Por Redação* 17/04/2026 09h09
Cooperativas propõem Plano Safra de R$ 674 bilhões para ampliar crédito rural
Crédito Rural - Foto: Reprodução

As cooperativas agropecuárias e de crédito propuseram um volume de R$ 674 bilhões para o Plano Safra 2026/2027. Elaborado pelo Sistema OCB, o documento será encaminhado ao governo federal com o objetivo de ampliar o crédito rural e fortalecer o setor diante de um cenário de custos financeiros elevados.

O valor representa um avanço em relação ao plano anterior, que destinou cerca de R$ 594 bilhões na safra 2025/2026. A proposta busca não apenas ampliar os recursos disponíveis, mas também reposicionar o programa em um novo patamar de financiamento, em resposta à perda de espaço do crédito tradicional diante do aumento dos juros.

A avaliação do setor é que o fortalecimento das cooperativas amplia a capilaridade do crédito, reduz riscos e melhora a eficiência da política agrícola, especialmente para pequenos e médios produtores, mais dependentes dessas estruturas.

Distribuição dos recursos


Do total previsto, R$ 520 bilhões seriam destinados ao custeio e à comercialização, enquanto R$ 154 bilhões atenderiam investimentos e agroindustrialização. O setor também solicita R$ 27 bilhões para equalização de juros, mecanismo que reduz o custo do crédito para os produtores.

Outro ponto considerado estratégico é o seguro rural, com previsão de R$ 4 bilhões em 2026 e R$ 4,5 bilhões em 2027, ampliando a proteção contra perdas e garantindo maior previsibilidade à produção.

Condições de financiamento


As taxas propostas variam conforme o perfil do produtor. No Pronaf, os juros ficariam entre 0,5% e 6% ao ano, com limite de até R$ 700 mil.

Para o Pronamp, a sugestão é de taxa de 8% ao ano, com limite de R$ 2 milhões para custeio e R$ 800 mil para investimentos. Já para demais produtores e cooperativas, os juros podem chegar a 11% ao ano.

O documento também propõe a atualização dos limites de renda e financiamento, considerados defasados diante do aumento dos custos de produção, além de ajustes nos critérios de enquadramento.

Modernização e investimento


Na área de investimentos, a proposta inclui o fortalecimento de programas como o PCA, com R$ 9 bilhões, e o RenovAgro, com R$ 10 bilhões.

Também estão contempladas linhas como Moderfrota, Proirriga, Prodecoop e Procap-Agro Giro, voltadas à modernização da produção, ampliação da armazenagem e estímulo a projetos coletivos. Entre as novidades, está a inclusão de armazenagem frigorificada como item financiável.

Papel das cooperativas e desafio fiscal


O documento reforça o papel estratégico das cooperativas no financiamento rural. Atualmente, elas atuam como única instituição financeira em mais de 460 municípios brasileiros e têm forte presença em cadeias como grãos, proteínas, café e trigo.

Esse protagonismo ganha ainda mais relevância diante da retração do crédito público e do aumento da dependência do financiamento privado. Nesse contexto, o setor defende o fortalecimento das cooperativas de crédito e a ampliação da atuação do BNDES no financiamento agrícola.

Por outro lado, a proposta esbarra no cenário fiscal. Com a taxa básica de juros elevada, cresce o custo da equalização, o que pode limitar a capacidade do governo de ampliar o programa. Ainda assim, o setor argumenta que o reforço do crédito é essencial para garantir produção, competitividade e segurança alimentar.

*Com informações do MundoCoop