Cooperativismo

Iniciativa promove o resgatar a cultura da mamona em Alagoas

Em Alagoas, um projeto desenvolvido pela Capial, no município de Arapiraca, o cultivo da mamona começa a ser incentivado junto aos produtores rurais

Por Bccom Comunicação 30/08/2025 08h08
Iniciativa promove o resgatar a cultura da mamona em Alagoas
O óleo de mamona é uma das fontes mais relevantes de biodiesel no país - Foto: BCCOM ASSESSORIA

Desde o início desse mês de agosto, percentual de biodiesel misturado ao diesel de petróleo no Brasil aumentou para 15%. Nesse cenário, o óleo de mamona é uma das fontes mais relevantes de biodiesel no país, que busca reduzir a dependência do combustível fóssil. Com isso, a expectativa é de um aumento significativo na produção da oleaginosa, um cultivar de alto valor agregado e que exige pouca água, já a partir desse ano.

Em Alagoas, um projeto desenvolvido pela Cooperativa Agropecuária e Industrial de Arapiraca LTDA (Capial), no Sítio Lagoa Cavada, localizado no município de Arapiraca, o cultivo da mamona começa a ser incentivado junto aos produtores rurais. Nele, a oleaginosa ocorre em consórcio com outras plantações, a exemplo do feijão que é plantado em meio a fileiras com espaçamento de quatro metros entre linhas de mamona. No estado, o cultivo da oleaginosa havia perdido espaço no campo, tendo sido deixada de lado nos primeiros anos da década de 2000.

“A Capial, por meio do Programa Social do Biodiesel, está fazendo esses experimentos. Estamos reeditando o projeto da mamona que, dessa vez, está sendo cultiva em consórcio com feijão, amendoim e gergelim, além de girassol. O objetivo é mostrar ao agricultor familiar que é importante ele acreditar na cultura e plantar. A mamona tem mercado e todos as outras lavouras também”, afirmou Francisco Souza Irmão - o Chico da Capial -, presidente da cooperativa, lembrando que o município de Arapiraca também é um grande polo consumidor de torta de mamona que é usada para adubar lavouras. “Por ano, na cultura fumageira da região de Arapiraca são consumida as mais de 20 milhões de toneladas. Somos um grande consumidor e não plantamos nada”, reforçou.

De acordo com ele, para que a cultura da mamona possa voltar a crescer em Alagoas, torna-se necessário o incentivo por parte do poder público nas esferas estadual e municipal. “É necessário esse incentivo para a mamona. Isso pode transformar Alagoas em um grande produtor, além de um estado com grande produção alimentícia com o plantio consorciado”, destacou.

Segundo Chico da Capial, os pés de mamona com apenas 75 dias já apresentam frutos. “E com 140 dias já podem ser colhidos. Ela produz o ano inteiro, além de que um pé pode ser explorado até três anos. Um agricultor pode tirar até 50 sacos de grão de mamona por hectare. Os nossos técnicos estão no campo, atendendo os agricultores e ensinando como plantar corretamente a mamona”, declarou ele, afirmando que o agricultor que planta apenas feijão, após os 70 dias realizada a colheita do grão e a área fica vazia, quando poderia ter a mamona plantada e produzindo durante todo o ano.

Na Bahia, maior produtor de mamona do Brasil, de acordo com Chico da Capial, um saco de mamona chegou a ser comercializado a R$ 400. “É muito dinheiro. É uma renda extra para o agricultor, principalmente do sertão que logo no primeiro ano já terá produção para comercializar. Nessa área de plantio de dez hectares que estamos fazendo em consórcio com outras culturas, estamos esperando obter de 50 até 70 sacos de mamona por hectare. E no feijão de arranca, até 30 sacos por hectare. Em anos anteriores, com o incentivo do governo para o cultivo da mamona, já chegamos a plantar uma área superior a cinco mil hectares em Alagoas. Mas passamos por uma grande seca e n&ati lde;o tivemos condições de colher nada. Mas agora temos mercado com a produção comprada pela Bahia. A Capial, juntamente com a Unicafes-AL, está incentivando a produção. No próximo, ano, parte das sementes dessa área cultivada pela cooperativa será doada para os agricultores que quiserem plantar mamona em Alagoas e que terão a garantia de compra pela Capial”, finalizou.