Ciência, tecnologia e inovação

Embrapa sistematiza experiências de educação alimentar em Alagoas e Mato Grosso

Estudo apresentado em congresso científico identifica metodologia que integra ciência, gastronomia e saberes tradicionais em atividades com crianças e adolescentes

Por Redação 26/10/2026 15h03
Embrapa sistematiza experiências de educação alimentar em Alagoas e Mato Grosso
Resultados foram apresentados durante o Congresso Internacional de Ciência, Tecnologia e Engenharia de Alimentos (Conali 2026) - Foto: Divulgação/Assessoria

Experiências educativas desenvolvidas com crianças e adolescentes em Alagoas e Mato Grosso permitiram à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sistematizar uma metodologia de ensino que aproxima a ciência da cultura alimentar e dos conhecimentos tradicionais de diferentes comunidades. Os resultados foram apresentados durante o Congresso Internacional de Ciência, Tecnologia e Engenharia de Alimentos (Conali 2026), realizado nos dias 15 e 16 de outubro, em Recife (PE).

O estudo, intitulado “A transposição didática da agrossociobiodiversidade na educação alimentar: vivências interterritoriais do programa Embrapa & Escola”, foi apresentado pela analista Míriam Arazini, da Embrapa Alimentos e Territórios. O trabalho também tem como autores Matheus Grilo, Moacir Haverroth, Luisa Schetinger, Fabiano Estanislau e Isabelle Correia.

A pesquisa analisou três atividades realizadas pelo programa Embrapa & Escola, com foco na utilização da gastronomia como ferramenta pedagógica. A proposta busca aproximar o público infantojuvenil das práticas alimentares tradicionais e da diversidade de espécies utilizadas na agricultura, relacionando experimentação culinária, conhecimentos científicos e saberes locais.

Experiências nos territórios


Em Ipioca, em Maceió, 35 estudantes com idades entre 13 e 15 anos participaram de uma pesquisa intergeracional sobre alimentação e do preparo de receitas tradicionais da cultura local. A iniciativa permitiu integrar memórias alimentares das famílias às discussões sobre sustentabilidade e desperdício de alimentos.

Outra atividade, também realizada em Maceió, envolveu 45 crianças em idade pré-escolar em uma oficina sensorial e culinária. Durante a ação, os participantes produziram ovos de Páscoa utilizando mangaba, coco e castanha de caju, explorando as características dos ingredientes e suas transformações durante o preparo.

A terceira experiência ocorreu na Terra Indígena Tirecatinga, em Sapezal (MT), com a participação de dez crianças indígenas. A programação reuniu um jogo de reconhecimento de ingredientes cultivados pela própria comunidade e uma oficina de preparação de receitas, relacionando os conhecimentos científicos às práticas tradicionais indígenas.

Embora as atividades tenham sido realizadas com públicos e contextos culturais distintos, a análise identificou elementos em comum que possibilitaram a elaboração de uma matriz pedagógica. O modelo foi organizado em quatro etapas: contextualização e mobilização; organização e realização da atividade; coordenação e mediação; e análise, sistematização e reflexão coletiva.

Para Míriam Arazini, a apresentação dos resultados em um congresso científico também contribui para compartilhar metodologias desenvolvidas a partir da atuação da Embrapa nos territórios.

“São experiências realizadas em contextos muito diferentes, mas que mostram como podemos transformar conhecimentos científicos em atividades próximas da realidade das crianças e dos jovens, dialogando também com os saberes, a cultura e os alimentos de cada território. Sistematizar essas vivências nos permite refletir sobre a nossa própria prática e compartilhar caminhos que podem contribuir para outras iniciativas de educação alimentar e popularização da ciência”, afirma.

Ciência e cultura alimentar


Os resultados demonstram diferentes formas de incorporar a agrossociobiodiversidade aos processos educativos. Em Ipioca, as receitas tradicionais e as lembranças alimentares das famílias ajudaram a relacionar conhecimentos transmitidos entre gerações, valorização cultural e sustentabilidade.

Na oficina com as crianças em Maceió, a experimentação culinária permitiu explorar as propriedades dos alimentos e as mudanças observadas durante o preparo. Já em Tirecatinga, a diversidade de cultivos da comunidade indígena serviu de base para aproximar a ciência dos conhecimentos tradicionais.

De acordo com o estudo, receitas, memórias alimentares, características dos ingredientes e práticas tradicionais podem ser utilizadas como recursos pedagógicos em atividades adaptadas à realidade de cada território.

*Com informações da assessoria