Ciência, tecnologia e inovação
Físico alagoano cria modelo matemático para pesquisas contra o câncer
Desenvolvida em parceria com pesquisador britânico, a fórmula poderá contribuir para estudos com nanopartículas radioativas e otimizar simulações científicas
Um pesquisador alagoano desenvolveu uma ferramenta matemática que pode abrir novas possibilidades para investigações científicas relacionadas ao câncer de próstata. Natural de Arapiraca e criado em Girau do Ponciano, no interior de Alagoas, Matheus dos Santos Farias atua no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), vinculado à Universidade de São Paulo (USP).
O cientista é responsável pelo chamado Modelo Padrão Farias (MPF), criado em colaboração com o professor Emmanuel Agunloye, da University College London (UCL), instituição de ensino e pesquisa do Reino Unido. A proposta está associada ao desenvolvimento de métodos computacionais que podem auxiliar estudos sobre novas abordagens para combater células cancerígenas.
Entre as áreas que podem se beneficiar da pesquisa está a nanobraquiterapia, técnica experimental que investiga o uso de nanopartículas radioativas para direcionar a radiação a regiões específicas do organismo. Nesse contexto, partículas de ouro estão entre os materiais estudados para possibilitar uma atuação mais localizada sobre os tumores.
Para ampliar as possibilidades de utilização do modelo, Farias recorreu à linguagem de programação Python, à inteligência artificial e a métodos de aprendizado de máquina (machine learning). Com esses recursos, desenvolveu um sistema capaz de produzir imagens simuladas de nanopartículas, reproduzindo características visuais semelhantes às observadas em análises realizadas com equipamentos laboratoriais especializados.
A ferramenta poderá contribuir para a realização de simulações e avaliações computacionais, oferecendo suporte a pesquisadores e ajudando a diminuir despesas em determinadas fases dos estudos. A proposta também busca facilitar a análise de estruturas microscópicas sem depender exclusivamente de procedimentos experimentais mais complexos.
O desenvolvimento do Modelo Padrão Farias já motivou um pedido de patente apresentado ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), etapa relacionada à proteção da inovação tecnológica.
Apesar das perspectivas de utilização, é importante destacar que a criação do modelo não significa que exista uma nova cura para o câncer de próstata. A tecnologia ainda precisa passar por testes, verificações e validações científicas para que sua eficácia e suas possíveis aplicações sejam estabelecidas. Até lá, a contribuição da pesquisa está principalmente no apoio ao desenvolvimento de métodos e ferramentas que possam fortalecer futuras investigações na área oncológica.
