Ciência, tecnologia e inovação

Pesquisa desenvolve açúcar de cana com baixo indíce glicêmico

Produto não tem o sabor alterado

Por Redação* 29/09/2026 09h09 - Atualizado em 29/09/2026 09h09
Pesquisa desenvolve açúcar de cana com baixo indíce glicêmico
. - Foto: Agência FAPESP

Pesquisadores da Plataforma Biotecnológica Integrada de Ingredientes Saudáveis (PBIS) desenvolveram um tipo de açúcar de cana com menor índice glicêmico a partir de extratos de grãos de café verde defeituosos e da película que envolve o amendoim.

A tecnologia utiliza compostos fenólicos presentes nesses resíduos agroindustriais para modificar a forma como a sacarose é absorvida pelo organismo. O objetivo é reduzir os picos de glicose no sangue sem alterar o sabor do açúcar.

O produto foi desenvolvido em forma de cristais para ser utilizado pela indústria alimentícia. A técnica de cocristalização permite incorporar os extratos antioxidantes à estrutura da sacarose. Segundo os pesquisadores, uma adaptação do método aumentou em 7,5 vezes a capacidade de incorporação dos compostos.

Testes

A tecnologia foi avaliada em um estudo clínico com 25 voluntários. Durante seis dias, os participantes consumiram diferentes formulações e tiveram a glicemia monitorada por duas horas.

Os resultados preliminares indicaram que a combinação dos extratos de café e amendoim reduziu significativamente o índice glicêmico da sacarose, fazendo com que passasse da classificação média para baixa.

Ainda não foi definido se o novo produto terá o mesmo valor calórico do açúcar convencional. Os pesquisadores também planejam estudar seus efeitos sobre a microbiota intestinal em parceria com a Universidade de Bolonha, na Itália.

Desenvolvimento

A patente da tecnologia já foi depositada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). O produto alcançou níveis 5 e 6 de maturidade tecnológica e está sendo preparado para ser oferecido às empresas como um pacote tecnológico para licenciamento.

Criada em 2021 com apoio da FAPESP, a PBIS reúne Ital, Unicamp, USP, empresas do setor de alimentos e a Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia para desenvolver ingredientes a partir de matérias-primas nacionais.

*Informações de Agência Fapesp