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Descoberta de túmulos intactos em Gobeklitepe revela origem dos ossos espalhados

Os enterros datam do período pré-cerâmico Neolítico B, entre aproximadamente 8.700 e 8.000 a.C.

Por Sputnik Brasil 28/09/2026 17h05 - Atualizado em 28/09/2026 18h06
Descoberta de túmulos intactos em Gobeklitepe revela origem dos ossos espalhados
Foto: © Foto / Arqueologia para Vestfália/C. Bariszlovich

Arqueólogos descobriram os dois primeiros túmulos intactos em Gobeklitepe, na Turquia, oferecendo novas pistas sobre os costumes funerários do local, segundo a revista Archaeology News.

Os enterros datam do período pré-cerâmico Neolítico B, entre aproximadamente 8.700 e 8.000 a.C.

De acordo com a publicação, o estudo analisou duas sepulturas e comparou os ossos encontrados nelas com fragmentos espalhados pelos edifícios monumentais do sítio arqueológico. Os resultados indicam que a maioria desses fragmentos provém de sepulturas comuns em outras áreas do monte, sendo posteriormente levados encosta abaixo por erosão, acumulando-se nas construções monumentais.

Um dos túmulos, localizado sob o piso de gesso de um edifício retangular, continha pelo menos três esqueletos: o de uma mulher com mais de 35 anos, o de um homem entre 20 e 30 anos e o de uma menina de 11 a 14 anos. Havia ainda vestígios de um quarto esqueleto, cujos ossos estavam fora de posição anatômica, mas pequenos ossos de mãos e pés sugerem que corpos inteiros foram inicialmente depositados ali.

A segunda sepultura revelou os restos de uma jovem adulta, deitada sobre o lado esquerdo, em posição flexionada e voltada para o leste. Apesar de fortemente fragmentados, a maioria dos ossos permanecia em seu lugar original.

Os danos observados nos túmulos — depósitos calcários, pressão do solo e ação de roedores — são semelhantes aos padrões encontrados em 928 fragmentos ósseos humanos espalhados pelo local, o que ajuda a explicar a dispersão desse material.

Embora alguns crânios apresentem cortes deliberados e estejam em maior quantidade, os fragmentos não indicam uma prática funerária única ou organizada. Em vez disso, sugerem que muitos ossos foram deslocados por processos naturais, como erosão e deslizamentos, à medida que o monte crescia.

Os pesquisadores concluem que, provavelmente, grande parte dos ossos espalhados provém de sepulturas normais posteriormente remexidas pelo movimento do solo. No entanto, não descartam a possibilidade de outros costumes funerários e ressaltam a necessidade de mais estudos e datações precisas.

Por Sputnik Brasil