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Agentes de IA desenvolvem vocabulário próprio e desafiam compreensão humana

A pesquisa da startup norte-americana IA Emergence identificou que esses modelos criam espontaneamente palavras e contextos de difícil compreensão

Por Sputnik Brasil 28/09/2026 17h05 - Atualizado em 28/09/2026 17h05
Agentes de IA desenvolvem vocabulário próprio e desafiam compreensão humana
Foto: © AP Photo / Martin Meissner

Agentes autônomos de inteligência artificial (IA) como Claude, Gemini, Grok e outros modelos vêm desenvolvendo vocabulário próprio, tornando até metade das mensagens trocadas entre eles incompreensíveis para humanos, segundo estudo recente.

A pesquisa da startup norte-americana IA Emergence identificou que esses modelos criam espontaneamente palavras e contextos de difícil compreensão, por serem altamente comprimidos, metafóricos ou dependentes do contexto.

Para o estudo, grupos de agentes foram inseridos em sociedades virtuais que simulam ambientes do mundo real e, ao interagirem por longos períodos, criaram abreviações e novos significados para palavras e expressões.

“Há evidências claras de que eles tentam ser menos transparentes do que esperávamos”, afirmou Satya Nitta, presidente executivo e cientista-chefe da IA Emergence, à revista Science.

“Estes agentes não foram instruídos a inventar uma linguagem. Desenvolveram eles próprios novo vocabulário, significados partilhados e convenções de comunicação, e outros agentes adotaram-nos... Isso cria um desafio fundamental para a supervisão da IA: observar não é o mesmo que compreender.”

Claude, Gemini, Grok, OpenAI, Qwen, DeepSeek e Mistral foram analisados. Os pesquisadores constataram que até metade das mensagens trocadas era quase incompreensível para humanos.

O estudo destaca, por exemplo, que em agentes alimentados por diferentes modelos, a expressão “cold read” (vermelho frio, em inglês) passou a significar “verificação independente por uma parte não envolvida” e apareceu mais de 1,4 mil vezes.

Em alguns dias, cerca de 55% das conversas com o agente Gemini eram incompreensíveis, 50% com OpenAI e mais de 40% com Claude. O DeepSeek atingiu cerca de 20%, enquanto Qwen e Mistral quase não alteraram palavras e contextos.

Especialistas ressaltam que esses episódios não indicam que a IA esteja “fora de controle”. Os principais riscos, segundo eles, estão relacionados ao treinamento, às ferramentas utilizadas, às permissões concedidas e às medidas de segurança adotadas.

Por Sputnik Brasil