Ciência, tecnologia e inovação
Agentes de IA desenvolvem vocabulário próprio e desafiam compreensão humana
A pesquisa da startup norte-americana IA Emergence identificou que esses modelos criam espontaneamente palavras e contextos de difícil compreensão
Agentes autônomos de inteligência artificial (IA) como Claude, Gemini, Grok e outros modelos vêm desenvolvendo vocabulário próprio, tornando até metade das mensagens trocadas entre eles incompreensíveis para humanos, segundo estudo recente.
A pesquisa da startup norte-americana IA Emergence identificou que esses modelos criam espontaneamente palavras e contextos de difícil compreensão, por serem altamente comprimidos, metafóricos ou dependentes do contexto.
Para o estudo, grupos de agentes foram inseridos em sociedades virtuais que simulam ambientes do mundo real e, ao interagirem por longos períodos, criaram abreviações e novos significados para palavras e expressões.
“Há evidências claras de que eles tentam ser menos transparentes do que esperávamos”, afirmou Satya Nitta, presidente executivo e cientista-chefe da IA Emergence, à revista Science.
“Estes agentes não foram instruídos a inventar uma linguagem. Desenvolveram eles próprios novo vocabulário, significados partilhados e convenções de comunicação, e outros agentes adotaram-nos... Isso cria um desafio fundamental para a supervisão da IA: observar não é o mesmo que compreender.”
Claude, Gemini, Grok, OpenAI, Qwen, DeepSeek e Mistral foram analisados. Os pesquisadores constataram que até metade das mensagens trocadas era quase incompreensível para humanos.
O estudo destaca, por exemplo, que em agentes alimentados por diferentes modelos, a expressão “cold read” (vermelho frio, em inglês) passou a significar “verificação independente por uma parte não envolvida” e apareceu mais de 1,4 mil vezes.
Em alguns dias, cerca de 55% das conversas com o agente Gemini eram incompreensíveis, 50% com OpenAI e mais de 40% com Claude. O DeepSeek atingiu cerca de 20%, enquanto Qwen e Mistral quase não alteraram palavras e contextos.
Especialistas ressaltam que esses episódios não indicam que a IA esteja “fora de controle”. Os principais riscos, segundo eles, estão relacionados ao treinamento, às ferramentas utilizadas, às permissões concedidas e às medidas de segurança adotadas.
Por Sputnik Brasil
