Ciência, tecnologia e inovação

Arqueólogos descobrem flor rara de Ancara preservada há 4 mil anos em sítio

Descoberta representa os vestígios mais antigos já conhecidos da espécie Centaurea tchihatcheffii, que hoje está restrita a uma pequena área nos arredores de Golbası

Por Sputnik Brasil 10/09/2026 14h02
Arqueólogos descobrem flor rara de Ancara preservada há 4 mil anos em sítio
Sementes pertencem à Sevgi Cicegi, uma flor que ainda cresce atualmente no distrito de Golbası, em Ancara - Foto: © Foto / Ministério da Cultura e do Turismo da República da Turquia.

Sementes de uma flor rara e endêmica foram encontradas em um recipiente de 4.000 anos no sítio arqueológico hitita localizado na região central da Turquia, segundo o portal Arkeonews.

De acordo com a reportagem, as sementes pertencem à Sevgi Cicegi, uma flor que ainda cresce atualmente no distrito de Golbası, em Ancara.

A descoberta representa os vestígios mais antigos já conhecidos da espécie Centaurea tchihatcheffii, que hoje está restrita a uma pequena área nos arredores de Golbası, local onde Kulhoyuk preservou milênios de ocupação humana.

"O que torna a descoberta impressionante, portanto, não é simplesmente a idade das sementes. A planta, que hoje é considerada uma das espécies endêmicas mais características e vulneráveis de Ancara, parece ter crescido na paisagem habitada pelas comunidades de Kulhoyuk há cerca de quatro milênios", destaca a publicação.

Na tradição hitita, as plantas e a renovação sazonal tinham forte ligação com a vida ritual. Um importante festival de primavera, por exemplo, levava o nome de uma planta e podia durar semanas.

O assentamento era estratégico, com grandes fortificações, arquitetura monumental e indícios de conexões militares e comerciais por toda a Anatólia durante a Idade do Bronze Tardia, conforme ressalta o texto.

A Sevgi Cicegi é uma espécie anual, de flores em tons vibrantes de vermelho, rosa e roxo, atualmente muito restrita e alvo de ações de conservação, como o monitoramento populacional e a proteção do habitat.

Essa descoberta amplia a história da flor por milênios, conectando a espécie endêmica à paisagem da Anatólia Central habitada pelos hititas, conclui a reportagem.