Ciência, tecnologia e inovação
Novo berçário de tubarões ameaçados é localizado no Rio de Janeiro
Estudo da UFRJ e do Instituto Proshark identificou áreas usadas por fêmeas gestantes e filhotes de três espécies
A costa do Rio de Janeiro funciona como uma área de reprodução e desenvolvimento para espécies de tubarões ameaçadas de extinção. A descoberta foi feita por pesquisadores do Instituto Proshark e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e publicada nesta sexta-feira (14) na revista Brazilian Journal of Biology.
Segundo o estudo, a combinação de manguezais, enseadas protegidas e costões rochosos cria condições favoráveis para a reprodução dos animais, oferecendo abrigo e diferentes fontes de alimento para fêmeas gestantes e filhotes.
A pesquisa acompanhou os animais por meio de telemetria satelital, com transmissores instalados para registrar seus deslocamentos. Os pesquisadores também realizaram capturas, medições e posterior soltura dos tubarões.
Além do monitoramento em campo, foram analisadas seis fêmeas capturadas acidentalmente durante atividades de pesca. Os animais pertenciam a três espécies: Carcharhinus brevipinna, conhecido como tubarão-rotador; Carcharhinus limbatus, o tubarão-galha-preta; e Carcharias taurus, chamado de tubarão-mangona.
As fêmeas passaram por necrópsias, que permitiram aos pesquisadores analisar características como quantidade de embriões, volume de vitelo e estágio de desenvolvimento dos filhotes.
Para os pesquisadores, identificar a região como um berçário é importante para definir medidas de conservação e orientar políticas públicas voltadas à proteção dos tubarões.
Os resultados da pesquisa já contribuíram para o reconhecimento da Enseada de Piraquara de Fora como Área Importante para Tubarões e Raias (ISRA) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
O grupo pretende ampliar o monitoramento com o uso de drones e de sistemas de telemetria satelital e acústica. A intenção é localizar áreas de berçário primário, identificar rotas de deslocamento e compreender melhor como os animais utilizam a costa fluminense.
Os dados poderão ajudar a definir estratégias para reduzir os impactos das atividades humanas e preservar áreas importantes para a reprodução e sobrevivência dessas espécies.
