Ciência, tecnologia e inovação

Telescópio no Chile registra supernova rara em galáxia a 500 milhões de ano

Astrônomos registraram, pela primeira vez desde o clarão inicial de raios X, o nascimento de uma supernova rara e inesperada, desafiando expectativas sobre explosões estelares do tipo Ic de linhas largas

Por Sputnik Brasil 06/08/2026 12h12 - Atualizado em 06/08/2026 16h04
Telescópio no Chile registra supernova rara em galáxia a 500 milhões de ano
Foto: © Foto / CTIO/NOIRLab/DOE/NSF/AURA/D. de Martin & M. Zamani

Astrônomos registraram, pela primeira vez desde o clarão inicial de raios X, o nascimento de uma supernova rara e inesperada, desafiando expectativas sobre explosões estelares do tipo Ic de linhas largas.

O evento teve início em março de 2026, quando a sonda chinesa Einstein Probe identificou um breve e fraco sinal de raios X proveniente de uma galáxia localizada a aproximadamente 500 milhões de anos-luz da Terra. Investigações posteriores confirmaram tratar-se da supernova SN 2026gzf, pertencente à categoria Ic de linhas largas, geralmente associada ao colapso de estrelas massivas que perderam hidrogênio e hélio.

Contrariando as previsões, a SN 2026gzf não gerou jatos relativísticos nem explosões de raios gama, fenômenos normalmente ligados a esse tipo de supernova. O clarão inicial observado corresponde a uma rara "ruptura de choque", momento em que a onda de choque atinge a superfície da estrela e libera sua primeira emissão de radiação — a mais fraca já registrada para essa classe de supernova.

Uma imagem ampliada da região do espaço que contém a galáxia onde está localizada a supernova SN 2026gz, capturada pela câmera do LSST no Observatório Vera C. Rubin
Uma imagem ampliada da região do espaço que contém a galáxia onde está localizada a supernova SN 2026gz, capturada pela câmera do LSST no Observatório Vera C. Rubin

Essas rupturas de choque, que duram apenas segundos ou horas, são extremamente difíceis de observar. Desta vez, uma rede de telescópios terrestres e espaciais acompanhou o fenômeno desde o início, permitindo analisar em detalhes o clarão de raios X, a evolução da supernova e sua interação com o material previamente expelido pela estrela.

De acordo com os dados, a estrela progenitora era uma Wolf-Rayet com cerca de 20 massas solares, já despojada de hidrogênio e hélio, composta principalmente por carbono e oxigênio. Antes de explodir, ela passou por intensos episódios de perda de massa, formando múltiplas camadas de material ao seu redor.

Essas camadas proporcionaram aos cientistas uma visão única dos estágios finais da estrela, revelando um ambiente complexo que influenciou a explosão. A descoberta indica que supernovas Ic de linhas largas podem se formar por diferentes caminhos, nem sempre acompanhados de jatos relativísticos ou explosões de raios gama.

Para os pesquisadores, eventos como o da SN 2026gzf ajudam a preencher a lacuna entre supernovas comuns e explosões extremas, ampliando o entendimento sobre a vida e a morte de estrelas massivas. A expectativa é que novas observações de rupturas de choque possam esclarecer se estrelas despojadas seguem padrões semelhantes antes do colapso.

Por Sputnik Brasil