Ciência, tecnologia e inovação
Ufal recebe estudante da USP para intercâmbio científico no laboratório do IQB
Iniciativa aproxima instituições, amplia colaboração entre grupos de pesquisa de diferentes estados e fortalece parceria nacional em pesquisa
A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) recebeu a estudante de Ciências dos Alimentos e integrante da Central Multiusuário de Bioquímica e Análise Instrumental (CBAI) da Universidade de São Paulo (USP), campus de Piracicaba, Tharija Borges, para um período de intercâmbio, com foco em Iniciação Científica (IC), no Laboratório de Eletroquímica e Estresse Oxidativo (LEEO), coordenado pela professora Marília Goulart.
A estudante participa de atividades de pesquisa por meio do Programa Aristides Pacheco Leão, iniciativa da Academia Brasileira de Ciências (ABC), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que promove a mobilidade de estudantes entre instituições de diferentes estados.
De acordo com Tharija, a escolha da Ufal se deu por seguir na mesma linha de pesquisa em que atua, mas com metodologias complementares às utilizadas em seu laboratório de origem. "Na USP eu trabalho com produtos naturais e escolhi o laboratório da professora Marília porque atua na mesma linha de pesquisa. Achei que seria uma oportunidade para aprender novas técnicas, participar de uma cultura diferente, fazer parcerias e conhecer outros profissionais da pesquisa", explicou a estudante.
Tharija Borges é a terceira estudante que vem à universidade vinculada ao programa, para a professora Marília Goulart, receber estudantes de instituições de referência nacional demonstra o reconhecimento da qualidade da ciência produzida na Ufal. "Primeiro, eles vêm de universidades muito consolidadas e nos escolhem porque nós temos o que oferecer. Isso é uma prova de que a nossa ciência é de qualidade. Além disso, criamos conexões entre grupos de pesquisa e abrimos caminhos para novos projetos desenvolvidos em parceria", destacou.
A docente explicou que o programa funciona em duas direções: estudantes realizam estágios em laboratórios de outros estados, enquanto pesquisadores de fora desses estados também podem desenvolver atividades em instituições das quais os estudantes são oriundos. "É uma troca muito importante, tanto de lá para cá quanto de cá para lá. Muitas vezes conseguimos fechar um trabalho porque uma universidade possui uma metodologia que a outra ainda não desenvolve. É um caminho de mão dupla” acrescentou.
Fortalecendo a formação científica
Um dos objetivos da recepção da estudante é que os resultados obtidos durante o intercâmbio contribuam para a publicação de um artigo científico, fortalecendo a colaboração entre os grupos de pesquisa da Ufal e da USP e abrindo novas possibilidades de cooperação entre as instituições.
No laboratório, Tharija desenvolve atividades sob acompanhamento direto da pós-doutoranda Elaine Luiza Santos Soares de Mendonça, vinculada ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Bioanalítica (INCTBio-LK) que explicou que, além de executar experimentos, a estudante participa de todas as etapas da pesquisa científica. "Desde o início planejamos um cronograma pensando não apenas nas necessidades do projeto, mas também no aprimoramento técnico e científico dela. Não se trata apenas de receber uma estudante, mas de acolhê-la e participar da construção da sua trajetória científica", afirmou.
Durante o intercâmbio, a pesquisa está voltada para a avaliação do potencial biológico da semente do jambolão, resíduo vegetal normalmente descartado após o consumo do fruto. Os pesquisadores investigam propriedades antioxidantes, antidiabéticas, antiglicantes e fotoprotetoras da matéria-prima, utilizando diferentes técnicas de extração e análises laboratoriais.
Além das atividades experimentais, Tharija também participa da interpretação dos resultados, do tratamento estatístico dos dados e da elaboração de um artigo científico. "A Tharija não está aprendendo apenas técnicas laboratoriais. Ela participa do planejamento experimental, acompanha a análise dos dados e já está vivenciando a escrita de um artigo científico. Isso contribui para desenvolver autonomia, pensamento crítico e segurança para sua futura atuação na pós-graduação", ressaltou Elaine.
Para a pesquisadora, o intercâmbio também evidencia o potencial da ciência produzida no Nordeste. "É importante que estudantes de outras regiões conheçam a pesquisa desenvolvida aqui. Nossas universidades produzem ciência relevante, inovadora e conectada às necessidades da sociedade. Essa experiência permite que ela conheça nossas técnicas, nossas pessoas e a forma acolhedora como construímos ciência em conjunto”, reforçou Elaine.
Experiência que vai além do laboratório
Além do aprendizado científico, a estudante destacou que o intercâmbio tem proporcionado uma vivência acadêmica e cultural transformadora e que sairá da desta experiência com uma visão ampliada do fazer científico. "Está sendo uma experiência muito gratificante. Já aprendi muitas técnicas novas e estou convivendo com pesquisadores e estudantes de diferentes áreas. Também conheci outra cultura e outra forma de fazer ciência", contou.
Para ela, a prática vem fortalecer a própria formação profissional, amplia as possibilidades de atuação na carreira acadêmica e abre sua visão para colaborações futuras. "Quando fazemos parte da pesquisa, também fazemos parte do desenvolvimento do país. Espero levar comigo não apenas o conhecimento adquirido aqui, mas também manter essa parceria no futuro”, finalizou.

