Ciência, tecnologia e inovação
Anéis misteriosos descobertos em Vênus há 16 anos desafiam a ciência
Fenômenos continuam intrigando a comunidade científica, que agora convoca pesquisadores de diversas áreas para descobrir a origem
Em 2010, astrônomos identificaram acidentalmente enormes anéis circundantes na atmosfera de Vênus durante uma observação de 36 minutos, segundo a revista científica Science Alert.
Essas estruturas, nunca antes observadas, continuam intrigando a comunidade científica, que agora convoca pesquisadores de diversas áreas para descobrir a origem dos anéis e comprovar sua existência de forma empírica.
De acordo com a publicação, os anéis não podem ser visualizados por telescópios convencionais sob iluminação normal. Por isso, passaram despercebidos em estudos anteriores realizados com instrumentos tradicionais.

Os anéis só se tornam visíveis com o uso de um equipamento experimental, o polarímetro extremo (ExPo), capaz de detectar exclusivamente a luz polarizada e suprimir a luz comum não polarizada.
Inicialmente, os cientistas pensaram que os anéis poderiam ser resultado de distorções do próprio equipamento ou falhas na digitalização das imagens, ou ainda embaçamento do sinal.

No entanto, simulações computacionais confirmaram que os anéis são reais: variações de 5 a 10% na densidade atmosférica podem gerar os anéis polarizadores observados na luz polarizada.
"É emocionante porque essas ondas carregam energia por todo o planeta. Tais processos podem, eventualmente, revelar-se importantes para a compreensão de um dos mistérios de longa data de Vênus: a super rotação da atmosfera, na qual as nuvens circulam ao redor do planeta muito mais rápido do que o planeta sólido gira!", destaca a publicação.
A causa exata dessas ondas, porém, ainda é desconhecida.
Segundo as simulações, os anéis surgem por volta do meio-dia local em Vênus, o que sugere relação com a resposta da atmosfera à radiação solar, quando a energia é transferida por densas camadas de nuvens.
Antes de confirmar essa hipótese, os cientistas ressaltam a necessidade de obter provas empíricas concretas sobre a presença dos anéis.

