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Cientistas encontram túmulo de gêmeos prematuros em latrina romana
Sepultamento revela como famílias lidavam com a perda de recém-nascidos na Alta Idade Média
Um sepultamento raro da Alta Idade Média, localizado no antigo bairro do Templo de Ártemis, em Éfeso, revela como famílias lidavam com a perda de recém-nascidos, segundo a revista Archaeology News.
O estudo analisou os restos mortais de duas crianças em idade perinatal, encontrados em um canal de latrina romana desativado no Odeion — edifício que, no passado, servia para apresentações públicas.
"O enterro ocorreu dentro de um canal de esgoto construído no período romano, entre os séculos II e III d.C. O canal fazia parte de uma latrina pública com cerca de 30 assentos. Na época do sepultamento, o Odeion já havia perdido sua função original e estava situado em uma área sagrada mais antiga", destaca a publicação.
A análise por radiocarbono indica que o túmulo foi feito entre os séculos VIII e IX, mostrando que o santuário de Éfeso continuou em uso até ser soterrado por inundações medievais séculos depois.
O túmulo, do tipo cista e cuidadosamente construído, abrigava dois bebês prematuros posicionados lado a lado, com as cabeças voltadas para o oeste, em conformidade com costumes cristãos primitivos e evidenciando um cuidado especial.
As crianças, provavelmente gêmeas, não tinham objetos funerários, mas foram encontrados vestígios de tecidos e um objeto de ferro junto aos corpos. Uma delas apresentava uma rara costela cervical, fator associado a riscos de desenvolvimento, conforme aponta o artigo.
Diferente de muitos sepultamentos infantis antigos, que sugerem exclusão social, a construção e o tratamento desse túmulo refletem luto e proteção, alinhados à prática cristã da época.
O estudo ressalta que o sepultamento, datado do período bizantino médio, revela as respostas familiares diante da perda de crianças e a reutilização de um espaço sagrado esquecido para garantir um enterro respeitoso.

