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Pesquisa revela lógica visual estruturada em pinturas rupestres da Idade do Gelo

Por Sputnik Brasil 23/07/2026 11h11
Pesquisa revela lógica visual estruturada em pinturas rupestres da Idade do Gelo
Foto: © Foto / Ludovic Slimak, CNRS

Um novo estudo revela que os antigos pintores rupestres da região basca seguiam um projeto visual estruturado ao criar suas obras de arte entre 16 mil e 14 mil anos atrás, segundo a revista Archaeology News.

A publicação destaca que as pinturas não eram feitas de forma aleatória, mas organizadas de acordo com princípios comuns, evidenciando um sistema gráfico coerente e uma ordem estrutural deliberada.

"Bisões, cavalos e cabras-monteses constituíam o centro de muitas composições. Outros animais apareciam ao redor deles em papéis coadjuvantes. Os bisões frequentemente ocupavam a posição mais central dentro das redes, embora os cavalos e as cabras-monteses também fizessem parte de um grupo estável que moldava o arranjo geral", ressalta a revista.

Segundo a reportagem, mais de 500 figuras pintadas em nove cavernas bascas foram analisadas por meio de métodos estatísticos e de análise de redes, examinando a coocorrência, o posicionamento e a orientação direcional das imagens.

O estudo apontou que a direcionalidade seguia regras consistentes: os cavalos geralmente estavam voltados para a direita, enquanto bisões e a maioria dos demais animais eram representados à esquerda, com poucas exceções.

Esse padrão se repetia em diversas cavernas. Em vez de atribuir significado simbólico às imagens, os pesquisadores trataram a arte como um sistema visual, confirmando sua ordem interna por meio de diferentes métodos analíticos, como redes e árvores de expansão mínima.

Os resultados corroboram observações arqueológicas anteriores, mas desafiam a explicação tradicional da lateralidade direita, já que os cavalos — as figuras mais comuns — costumam estar voltados para a direita. O estudo sugere a existência de um código gráfico compartilhado, cujo significado original se perdeu ao longo do tempo.

Ao disponibilizar publicamente seus dados e métodos, os autores do estudo permitem comparações entre diferentes regiões e oferecem uma estrutura aplicável a outros sistemas simbólicos antigos, como escritas e inscrições. Isso demonstra que a arte rupestre da Idade do Gelo, apesar do significado enigmático, seguia uma lógica visual clara e estruturada, conclui a reportagem.