Ciência, tecnologia e inovação
Astrônomos detectam possível primeira lua fora do Sistema Solar
A descoberta foi liderada por pesquisadores da Universidade Diego Portales, no Chile, em colaboração com cientistas europeus, e publicada na revista Nature nesta quarta-feira (22)
Astrônomos identificaram, pela primeira vez, um objeto que pode ser classificado como uma lua fora do Sistema Solar. Com massa comparável à de Júpiter, o corpo celeste orbita uma anã marrom chamada CD-35 2722, localizada a cerca de 73 anos-luz da Terra.
A descoberta foi liderada por pesquisadores da Universidade Diego Portales, no Chile, em colaboração com cientistas europeus, e publicada na revista Nature nesta quarta-feira (22). O achado reacende discussões sobre as definições tradicionais de "lua" e "planeta".
O objeto só poderá ser considerado uma lua caso a anã marrom seja reconhecida como planeta. O sistema foi observado com o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul, no Chile.
Entre outubro de 2023 e fevereiro de 2026, a anã marrom CD-35 2722 B foi monitorada utilizando a técnica de velocidade radial, capaz de identificar pequenas oscilações causadas pela atração gravitacional de corpos em órbita.
A presença da possível lua foi detectada a partir das alterações no movimento da anã marrom, provocadas pela gravidade do objeto, que leva 170 dias para completar uma órbita — um período significativamente maior que os cerca de 27 dias da órbita da nossa Lua em torno da Terra.
Se orbitasse uma estrela, o objeto seria classificado como exoplaneta. No entanto, por orbitar uma anã marrom — corpo maior que um planeta, mas pequeno demais para ser uma estrela —, a classificação permanece em debate.
O sistema apresenta uma hierarquia de três níveis: a possível lua orbita a anã marrom, que por sua vez orbita uma estrela.
Os astrônomos planejam novas observações para confirmar a órbita e a massa do objeto, além de buscar exossatélites menores, consolidando esse novo campo de estudo. Independentemente da nomenclatura, a descoberta amplia o entendimento sobre a diversidade e a formação de sistemas planetários distintos do nosso, segundo os autores do estudo.

