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Sonda registra dunas de brilho metálico em cratera de Marte
Imagens da Mars Express mostram dunas cobertas por gelo de dióxido de carbono na Cratera Kaiser e ajudam a compreender a evolução geológica do planeta vermelho
Dunas de areia escura cobertas por gelo sazonal, registradas pela sonda Mars Express, transformam a Cratera Kaiser em um cenário marciano de brilho metálico e revelam como ventos antigos esculpiram gigantescas ondas de areia, preservando pistas de um planeta outrora mais dinâmico.
As mais recentes imagens captadas pela sonda Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA), apresentam um Marte que vai além do deserto vermelho tradicionalmente imaginado. No interior da Cratera Kaiser, ondas brilhantes se destacam, criando a impressão de metal derretido congelado. Na realidade, trata-se de dunas de areia basáltica escura cobertas por uma camada de gelo sazonal de dióxido de carbono.
O efeito cromado é resultado do contraste entre a areia escura, que absorve a luz, e a geada branca, que a reflete. Essa interação transforma a paisagem marciana em um cenário digno de ficção científica, ampliando o aspecto surreal das formações observadas pela sonda da ESA.

Essas dunas foram moldadas ao longo de milhares de anos por ventos marcianos, que esculpiram a areia vulcânica no fundo da Cratera Kaiser, uma bacia de impacto com 207 quilômetros de diâmetro. A estrutura em formato de tigela atua como uma armadilha natural, mantendo a areia confinada no interior da cratera.
Compostas por minerais vulcânicos como piroxênio e olivina, as dunas se destacam por serem mais escuras que a maior parte da superfície marciana, normalmente coberta por poeira rica em óxido de ferro. Apesar do suprimento limitado de areia, as ondulações são impressionantes, estendendo-se por quilômetros e ultrapassando 100 metros de altura.
A paisagem preserva vestígios de um Marte antigo e possivelmente mais dinâmico. Atualmente, a atmosfera rarefeita do planeta — cerca de 100 vezes mais fina que a terrestre — dificulta o transporte de areia, mas as dunas sugerem que, em épocas de atmosfera mais densa, ventos mais fortes moldaram essas estruturas ao longo de bilhões de anos.
A nova imagem integra o acervo crescente de registros da Mars Express, que desde 2003 documenta fenômenos marcianos notáveis. No mês anterior, a sonda registrou 30 redemoinhos de poeira em Mamers Valles, além de destacar vales esculpidos por inundações antigas e camadas de cinzas vulcânicas redistribuídas pelos ventos nas últimas décadas.
Mesmo parecendo desolado à distância, Marte segue exibindo atividade constante, revelando pistas de sua complexa história geológica e guardando descobertas que ainda aguardam ser feitas.

