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Selos de chumbo revelam protagonismo feminino na Rússia medieval
Objetos representam uma evidência rara e valiosa da participação feminina na administração principesca
Dois selos de chumbo da era medieval, desenterrados na cidade russa de Vladimir, foram identificados como pertencentes à princesa Maria Vsevolzhaya, esposa do príncipe Vsevolod, o Grande Ninho, e mãe de seus 12 herdeiros. A informação foi divulgada pelo serviço de imprensa do Instituto de Arqueologia da Academia de Ciências da Rússia (RAN).
Embora os documentos originalmente lacrados por essas raras peças dos séculos XII e XIII não tenham resistido ao tempo, os selos preservam um testemunho fundamental sobre a participação ativa de Maria Vsevolzhaya na vida política do nordeste da Rússia medieval.
“As escavações revelaram uma área de aproximadamente 400 m² com o estrato mais antigo de ocupação, que remonta à segunda metade do século XII e ao início do XIII. Nesse nível, foram identificadas duas propriedades delimitadas por valas de paliçadas, além de uma via de cerca de seis metros de largura que as separava”, detalha o comunicado.
De acordo com os pesquisadores, a descoberta de um terceiro selo na mesma área, decorado com os santos Dmitry e Jorge, reforçou a identificação das peças como pertencentes à princesa Maria Vsevolzhaya, seguindo a tradição da dinastia de Rurik, que associava o santo do príncipe ao de seu pai.
Casada com Vsevolod por volta de 1175, Maria faleceu em 1206. Ela foi uma das mulheres mais influentes da Rússia nordestina pré-mongol e fundou o Convento das Princesas da Assunção em Vladimir, onde foi sepultada.
Os selos representam uma evidência rara e valiosa da participação feminina na administração principesca, já que as fontes escritas da época normalmente mencionavam as mulheres apenas pelos nomes de seus maridos ou pais.
A descoberta oferece um contexto arqueológico inédito, confirmando o papel político ativo de Maria e consolidando sua posição como uma das figuras femininas mais relevantes da Rus' medieval, anterior à invasão mongólica.

