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Pesquisa revela microrganismos que reduzem contaminação por urânio

Pesquisa realizada na Alemanha identificou microrganismos capazes de transformar urânio dissolvido em formas químicas mais estáveis

Por Redação 14/07/2026 16h04
Pesquisa revela microrganismos que reduzem contaminação por urânio
Bactérias encontradas em mina desativada demonstraram potencial para reduzir a mobilidade do urânio na água - Foto: Reprodução

Uma pesquisa conduzida por cientistas da Alemanha e da Espanha revelou que determinadas bactérias anaeróbias são capazes de transformar urânio dissolvido em água em compostos mais estáveis, descoberta que pode contribuir para futuras técnicas de remediação ambiental em áreas contaminadas.


O estudo foi desenvolvido por microbiologistas e ecologistas de recursos do Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf (HZDR), na Alemanha, e da Universidade de Granada, na Espanha. Os resultados foram publicados em junho de 2026 na revista científica Nature Communications.


A pesquisa teve como foco a antiga mina de urânio Schlema-Alberoda, operada pela empresa Wismut GmbH na então Alemanha Oriental. O local foi desativado em 1990, após a reunificação do país, e desde então passa por um longo processo de recuperação ambiental.


Com o encerramento das atividades, a mina foi inundada, criando um ambiente onde a água contaminada por urânio exige monitoramento e tratamento contínuos devido aos riscos à saúde humana e aos ecossistemas.


Durante as análises, os pesquisadores identificaram uma comunidade de microrganismos vivendo em áreas profundas da mina, onde há pouca presença de oxigênio. Segundo a microbiologista Evelyn Krawczyk-Bärsch, essas bactérias utilizam compostos derivados do glicerol em seu metabolismo e, durante esse processo, promovem transformações químicas no urânio presente na água.


A equipe reproduziu em laboratório as condições naturais observadas no local e verificou que os microrganismos conseguem converter o metal em um estado químico pentavalente, tornando mais fácil sua incorporação em minerais estáveis e reduzindo sua mobilidade no ambiente.


Os resultados chamaram a atenção dos pesquisadores. De acordo com o microbiologista Antonio Newman-Portela, após 130 dias de experimento, apenas 5% do urânio inicialmente dissolvido permaneceu nas amostras analisadas.


Além dos avanços para a compreensão dos processos biológicos envolvendo elementos radioativos, o estudo destaca que a contaminação por urânio é um problema que afeta diferentes regiões do planeta.


Países como Estados Unidos, Canadá, Índia, França, África do Sul e Austrália já registraram concentrações do metal acima dos limites recomendados para águas superficiais e subterrâneas. As diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelecem como referência máxima a concentração de 0,03 miligrama de urânio por litro de água.


Apesar dos resultados promissores, os autores ressaltam que ainda são necessários estudos adicionais para determinar até que ponto essas bactérias conseguem tornar o urânio menos nocivo e avaliar a viabilidade de aplicar o método em larga escala.


A expectativa é que futuras pesquisas possam transformar a descoberta em uma ferramenta complementar para recuperação ambiental de áreas contaminadas por materiais radioativos.