Ciência, tecnologia e inovação
Estudante de 17 anos desenvolve IA para identificar TEA e TDAH pela retina
Projeto premiado nos Estados Unidos utiliza inteligência artificial para analisar imagens da retina e busca tornar o diagnóstico de transtornos do neurodesenvolvimento mais preciso.
Aos 17 anos, o estudante americano Edward Kang desenvolveu uma ferramenta de inteligência artificial capaz de identificar sinais relacionados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) e ao Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) por meio da análise de imagens da retina. O projeto garantiu ao jovem o segundo lugar no Regeneron Science Talent Search 2026, uma das mais tradicionais competições científicas para estudantes do ensino médio nos Estados Unidos.
Aluno da Bergen County Academies, em Nova Jersey, Kang criou o RetinaMind, sistema que utiliza inteligência artificial para reconhecer padrões sutis em imagens da retina associados ao TEA e ao TDAH. A pesquisa também investiga alterações genéticas por meio de modelos de células da retina, buscando compreender melhor os mecanismos biológicos dessas condições.
A ideia surgiu em 2023, após o estudante conhecer um artigo científico que explorava o uso de imagens da retina para auxiliar no diagnóstico do autismo. O objetivo inicial era aperfeiçoar um modelo já existente, mas a pesquisa tomou proporções maiores ao longo de dois anos.
"Comecei com o objetivo simples de tentar melhorar esse modelo existente para torná-lo mais preciso e poderoso, mas meu projeto cresceu para algo muito mais complexo", contou.
Durante o desenvolvimento, Kang passou a questionar não apenas a precisão da tecnologia, mas também quais processos biológicos ela poderia estar identificando e como essa ferramenta poderia ser aplicada na prática clínica.
"A verdade é que tenho muito mais perguntas agora do que quando comecei. Isso pode ser frustrante às vezes, mas acredito que o verdadeiro espírito científico vem de enfrentar essas questões de frente e amar cada etapa do processo."
Um dos momentos decisivos para o projeto ocorreu quando o estudante começou a atuar como voluntário no Rutgers Center for Autism Research, Education and Services (RUCARES), ligado ao Rutgers Brain Health Institute.
A experiência permitiu que ele acompanhasse de perto o atendimento a pessoas com autismo, aproximando a pesquisa da realidade vivida por pacientes e familiares.
"Desde o outono passado, tive a oportunidade de ver na prática as abordagens de tratamento do autismo sobre as quais eu só havia lido", disse.
Foi nesse período que Kang passou a defender que ferramentas de inteligência artificial devem ir além da simples identificação do transtorno, sendo capazes de diferenciar perfis de pacientes para auxiliar na escolha de tratamentos mais personalizados.
Segundo o psicólogo Craig W. Strohmeier, do RUCARES, a participação de estudantes em projetos de pesquisa permite contato direto com métodos científicos e práticas clínicas, contribuindo para a formação de futuros pesquisadores.
Apesar de ter conquistado um prêmio de US$ 175 mil e reconhecimento nacional, Kang afirma que sua principal motivação continua sendo o impacto que sua pesquisa pode gerar na vida das pessoas.
"Sempre fico mais grato quando posso discutir meu trabalho com famílias afetadas por TEA ou TDAH. A ideia de dar alguma contribuição para a vida delas é minha maior motivação", disse.
O estudante também destaca que apresentar sua pesquisa é uma forma de manter o propósito do trabalho.
"Apresentar minha pesquisa me dá perspectiva sobre o que estou fazendo e por quê."
No próximo semestre, Edward Kang iniciará sua graduação no Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde pretende aprofundar os estudos em neurociência e inteligência artificial. Para ele, a experiência adquirida no RUCARES foi essencial para fortalecer seu interesse pela área e demonstrar que curiosidade científica e propósito podem caminhar juntos.

