Ciência, tecnologia e inovação

Fóssil de 518 milhões de anos revela ancestral de aranhas com presas

Estudo publicado na Nature identifica estruturas primitivas de quelíceras em animal do Cambriano encontrado na China

Por Sputnik Brasil 03/07/2026 12h12
Fóssil de 518 milhões de anos revela ancestral de aranhas com presas
Descoberta ajuda a entender a evolução dos quelicerados, grupo que inclui aranhas e escorpiões - Foto: © Foto / Current Biology/Luke A. Parry et al., Xiaodong Wang

Pesquisadores das universidades de Leicester (Reino Unido) e Yunnan (China) identificaram a mais antiga evidência conhecida de presas de aranha, em um estudo publicado em 1º de julho na revista Nature.

O fóssil, pertencente à criatura pré-histórica chamada urokodia, tem 518 milhões de anos e representa um dos grupos de animais mais bem-sucedidos do planeta, marcando o surgimento de sua principal arma de caça, conforme reporta o portal Phys.org.

A aparência do urokodia pouco lembra as aranhas modernas: o animal possuía apenas 2 a 3 centímetros de comprimento, olhos grandes, corpo segmentado e pernas finas e delicadas, assemelhando-se a uma mistura entre um pequeno crustáceo e um inseto. Apesar disso, a urokodia é reconhecida como um dos ancestrais mais antigos dos quelicerados — grupo de invertebrados que atualmente inclui aranhas, escorpiões, ácaros e carrapatos, com mais de 100 mil espécies descritas.

O fóssil foi encontrado no famoso sítio de Chengjiang, na província de Yunnan, sul da China, considerado um dos mais importantes do mundo em paleontologia.

Para analisar a descoberta, os cientistas utilizaram tomografia de raios X, técnica que permite examinar o interior da rocha sem danificar a amostra. O exame revelou que grande parte do tecido mole do urokodia permaneceu mumificado, mesmo após centenas de milhões de anos.

Durante a análise, os pesquisadores identificaram dois pequenos membros semelhantes a pinças logo abaixo dos olhos do animal. Essas estruturas são consideradas os primeiros indícios das quelíceras, que evoluíram para formar as presas das aranhas modernas — equipadas com glândulas de veneno — e as pinças dos escorpiões.

Além das presas, a equipe encontrou nas patas do urokodia estruturas semelhantes às guelras de livro, órgãos respiratórios compostos por finas placas dobradas como páginas. Guelras desse tipo ainda existem em caranguejos-ferradura atuais, indicando que o urokodia era uma criatura marinha que habitava as profundezas dos oceanos antigos.