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Por que jogadores de futebol cospem água e isotônico durante as partidas? Entenda:

Prática pode ajudar a reduzir desconfortos durante o esforço físico

Por Redação com Metrópoles 02/07/2026 11h11
Por que jogadores de futebol cospem água e isotônico durante as partidas? Entenda:
Estratégia não substitui hidratação adequada - Foto: AFP

É uma cena comum no futebol: durante a partida, o jogador toma um gole de água ou isotônico e, em vez de engolir, cospe o líquido no gramado. Embora o gesto cause estranhamento entre muitos torcedores, ele faz parte de uma estratégia utilizada em algumas situações no esporte de alto rendimento.

Segundo especialistas, a prática pode ajudar a umedecer a boca, aliviar a sensação de sede e evitar desconfortos gastrointestinais durante momentos de maior intensidade, quando ingerir grandes quantidades de líquido pode provocar sensação de estômago cheio, refluxo ou náusea.

Apesar disso, o recurso não substitui a hidratação. Ao cuspir a bebida, o atleta deixa de absorver água, eletrólitos e carboidratos, reduzindo os benefícios da reposição de líquidos durante a atividade física.

Para o nutricionista esportivo Fernando Castro, o enxágue bucal pode ter utilidade em situações específicas, mas não deve ser a principal estratégia.

“Na maioria dos cenários esportivos, considero mais vantajoso realizar uma hidratação e suplementação adequadas do que depender apenas do enxágue bucal”, afirma.

A hidratação dos atletas começa antes mesmo da partida e é planejada de acordo com fatores como intensidade do jogo, duração do esforço, temperatura, umidade e taxa de suor de cada jogador. O objetivo é evitar tanto a desidratação quanto problemas digestivos durante a competição.

Outra técnica utilizada em alguns esportes é o chamado enxágue bucal com carboidratos. Nesse método, o atleta mantém por alguns segundos uma bebida com carboidrato na boca e depois a cospe. Estudos indicam que esse contato ativa receptores na cavidade oral, enviando sinais ao cérebro relacionados à motivação e à percepção de esforço, o que pode proporcionar um pequeno ganho de desempenho, mesmo sem a ingestão do líquido.

O médico do esporte Anderson Clayton Sant'Anna explica que o procedimento é apenas um complemento.

“O enxágue bucal com carboidrato é apenas uma ferramenta adicional dentro de uma estratégia completa de nutrição e hidratação esportiva”, destaca.

Assim, embora cuspir água ou isotônico possa fazer parte da rotina de alguns atletas, especialistas reforçam que a prática é apenas um recurso pontual e não substitui um planejamento adequado de hidratação e alimentação durante as partidas.

*Informações de Metrópoles