Ciência, tecnologia e inovação
Estudo aponta que creatina pode ajudar no tratamento da depressão
Apesar da associação, pesquisadores defendem cautela e novas pesquisas
Uma revisão sistemática publicada nesta terça-feira (30) na revista Brain Medicine indica que a creatina, suplemento conhecido pelo uso na prática esportiva, pode auxiliar no tratamento da depressão quando combinada a terapias convencionais.
Pesquisadores da Universidade de Ottawa, no Canadá, analisaram seis estudos — cinco deles ensaios clínicos randomizados e controlados — realizados com 238 participantes de Brasil, Estados Unidos, Coreia do Sul, Israel e Índia. A maioria dos voluntários era formada por mulheres com idade média de 36 anos, diagnosticadas com transtorno depressivo ou transtorno bipolar em fase depressiva.
Nos pacientes com depressão, a combinação de 5 gramas diárias de creatina com antidepressivos, como o escitalopram, apresentou resultados superiores aos do placebo. O suplemento também mostrou potencial para reforçar os efeitos da terapia cognitivo-comportamental.
Já entre pacientes com transtorno bipolar, a creatina não trouxe benefícios em alguns grupos analisados. Além disso, dois participantes desenvolveram episódios de mania ou hipomania durante o tratamento.
Para o coordenador da revisão, Bassam Jeryous Fares, os resultados são promissores, mas ainda não justificam mudanças na prática clínica.
“Esse não é o tipo de evidência que leva a mudanças na prática clínica, mas indica que a questão merece ser investigada mais a fundo”, disse em comunicado.
Segundo os pesquisadores, a creatina pode favorecer a produção de energia nas células cerebrais e influenciar neurotransmissores ligados ao humor, como dopamina e serotonina.
Apesar dos resultados positivos, os autores ressaltam que os estudos tiveram curta duração, de apenas oito semanas. Por isso, defendem a realização de pesquisas maiores para confirmar a eficácia e a segurança do suplemento no tratamento da depressão.
*Informações de Metrópoles


