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DNA humano é encontrado em paredes de cavernas da Península Ibérica

Pesquisadores identificam material genético preservado em superfícies rochosas e abrem novas possibilidades para estudos sobre populações pré-históricas

Por Sputnik Brasil 26/06/2026 11h11
DNA humano é encontrado em paredes de cavernas da Península Ibérica
Descoberta pode ampliar o conhecimento sobre populações que frequentaram cavernas na pré-história - Foto: © Foto / Dubrovački muzeji

Pela primeira vez, cientistas identificaram DNA humano antigo preservado nas paredes de cavernas, inaugurando uma nova abordagem para investigar populações que viveram há milênios, segundo destaca a revista Archaeology News.

A publicação ressalta que a descoberta comprova a capacidade do material genético humano de permanecer aderido a superfícies rochosas por longos períodos, sobrevivendo muito tempo após o desaparecimento dos indivíduos que o depositaram.

Tradicionalmente, a pesquisa de DNA antigo concentra-se em ossadas, camadas de solo ou artefatos arqueológicos. Desta vez, os pesquisadores buscaram saber se as paredes das cavernas, inclusive suas superfícies decoradas, poderiam reter impressões genéticas de antigos visitantes humanos.

"Para isso, a equipe analisou 54 amostras coletadas em 24 painéis de arte rupestre, distribuídos por 11 cavernas na Espanha e em Portugal. Os locais incluíram desde marcas simples pintadas até estênceis de mãos e as célebres pinturas figurativas da caverna de Altamira. Foram coletadas amostras de paredes pintadas e não pintadas, sedimentos, ossos e uma ferramenta pré-histórica de aerógrafo", detalha a matéria.

De acordo com a publicação, o DNA chegou às paredes por diferentes meios: alguns diretamente, por fluidos corporais humanos, outros de forma indireta, transportados por água ou sedimentos. A análise genética revelou predominância de características femininas, além da identificação de um indivíduo do sexo masculino.

Duas amostras apresentaram DNA nuclear suficiente para serem associadas aos caçadores-coletores ocidentais, um grupo genético já conhecido a partir de outros vestígios encontrados na Península Ibérica.

Tentativas de recuperar DNA antigo de uma ferramenta de pulverização feita de osso de pássaro utilizada para pintura não tiveram sucesso, provavelmente devido à contaminação moderna pelo manuseio, que apagou vestígios genéticos mais antigos.

Embora a preservação desse material seja rara e não permita afirmar que o DNA pertencia aos próprios artistas, a descoberta abre novas possibilidades para pesquisas futuras sobre quem frequentou as cavernas, sua ancestralidade e o uso desses espaços. Os cientistas planejam ampliar o estudo para outros sítios e técnicas artísticas, conclui a reportagem.