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El Niño pode afetar regiões de Alagoas nos próximos meses, aponta Ufal
Sistema monitora avanço do fenômeno climático e alerta para risco de estiagem
O avanço do fenômeno El Niño voltou a acender o alerta entre especialistas em clima e gestores públicos. Após a confirmação do aquecimento das águas do Oceano Pacífico pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) passaram a acompanhar com atenção os possíveis impactos sobre o regime de chuvas e a disponibilidade hídrica no estado.
Por meio do Sistema de Radar Meteorológico de Alagoas (Sirmal), a Ufal monitora em tempo real a formação e o deslocamento dos sistemas de chuva que atuam sobre o território alagoano. A ferramenta é considerada estratégica para o acompanhamento de eventos climáticos extremos, produção de dados científicos e apoio às ações de defesa civil e gestão dos recursos hídricos.
De acordo com a coordenadora do sistema, a professora Luciene Melo, do Instituto de Ciências Atmosféricas (Icat), os dados divulgados pela NOAA indicam um cenário que merece atenção. O órgão norte-americano registrou aumento significativo da temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial, condição que caracteriza a instalação do El Niño e aumenta a probabilidade de um episódio de forte intensidade nos próximos meses.
Embora o El Niño se forme no Oceano Pacífico, seus efeitos são sentidos em diversas regiões do planeta por meio de alterações na circulação atmosférica. No Nordeste brasileiro, o fenômeno costuma estar associado à redução das chuvas e ao aumento das temperaturas, especialmente durante os períodos mais importantes para a reposição hídrica.
Segundo a pesquisadora, os impactos sobre Alagoas dependem também das condições do Oceano Atlântico Tropical, que pode intensificar ou amenizar os efeitos do fenômeno. Por isso, a ocorrência do El Niño não significa automaticamente uma seca severa, mas aumenta a probabilidade de precipitações abaixo da média.
Sertão alagoano está entre as áreas mais vulneráveis
Os efeitos do fenômeno não ocorrem de forma uniforme em todo o estado. O Sertão é apontado como a região mais sensível às mudanças climáticas provocadas pelo El Niño, devido à forte dependência das chuvas da chamada Quadra Chuvosa para abastecimento de reservatórios, agricultura e pecuária.
Já o Agreste apresenta vulnerabilidade intermediária, enquanto o Litoral e a Zona da Mata tendem a sofrer impactos menores, graças à influência de sistemas meteorológicos associados ao Oceano Atlântico.
Especialistas alertam que uma eventual redução das chuvas pode afetar diretamente culturas agrícolas importantes, como milho e feijão, além de comprometer a recarga de açudes e a disponibilidade de água para consumo humano e produção rural.
Com o encerramento do período mais chuvoso em Alagoas, a principal preocupação agora é a capacidade de reposição hídrica durante os próximos meses. A previsão indica que o pico do El Niño deverá ocorrer entre o fim de 2026 e o início de 2027, período que pode registrar temperaturas mais elevadas e intervalos mais longos sem chuva.
Os chamados veranicos — períodos prolongados de estiagem entre eventos de chuva — também tendem a se tornar mais frequentes e intensos, aumentando a pressão sobre reservatórios, sistemas de abastecimento e atividades agrícolas.
Radar da Ufal reforça monitoramento climático
Operando com tecnologia de alta precisão, o Radar Meteorológico da Ufal cobre uma área de aproximadamente 400 quilômetros de raio a partir de Maceió e permite acompanhar a evolução dos sistemas atmosféricos em tempo real.
As informações produzidas pelo equipamento auxiliam órgãos estaduais e municipais na tomada de decisões relacionadas à gestão de recursos hídricos, monitoramento de estiagens, prevenção de desastres e emissão de alertas meteorológicos.
Além do apoio operacional, o sistema também desempenha papel importante na pesquisa científica e na formação de estudantes e profissionais da área de meteorologia, fortalecendo a capacidade de monitoramento climático em Alagoas diante de fenômenos globais como o El Niño.
