Ciência, tecnologia e inovação

Pesquisa da Ufal investiga relação entre poesia e ciência no exterior

Foco do estudo é analisar processos de divulgação científica e cultural em países de língua portuguesa

Por Ascom Ufal 23/06/2026 14h02
Pesquisa da Ufal investiga relação entre poesia e ciência no exterior
Professor Wilmo Ernesto Francisco Junior - Foto: Assessoria

Investigar as inter-relações entre poesia e ciência em diferentes processos de divulgação científica e cultural em países de língua portuguesa, como Brasil, Portugal, Cabo Verde e Moçambique. Esse é o foco do projeto coordenado pelo docente do Campus Arapiraca da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Wilmo Ernesto Francisco Junior, que atua em pesquisas sobre ciência e arte.

A iniciativa, intitulada “Diálogos de poesia com ciência em países de língua portuguesa: navegando entre obras, exposições e (novas) criações”, foi aprovada na chamada pública do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), n. 16/2025, que apoia projetos internacionais de pesquisa científica, tecnológica e de inovação.

“Poesia e ciência, usualmente, podem ser vistas como áreas distintas. Todavia, não é essa a concepção que subsidia o projeto aprovado. Os poemas abrem perspectivas para a inter-relação das vertentes sociais e científicas, ao mesmo tempo, em que valorizam dimensões do pensamento, tais como imaginação, criatividade e raciocínio analítico por meio da linguagem”, explica Wilmo. Conforme o docente, a proposta é explorar diferentes ações que vão desde exposições sensoriais de poesia, com auxílio de experimentos interativos, até a escrita de poemas para divulgar ciências.

As universidades federais de Sergipe (UFS), da Grande Dourados (UFGD) e do Paraná (UFPR) integram o projeto liderado pela Ufal, que tem como destaque a cooperação internacional com as instituições estrangeiras Universidade de Cabo Verde, Universidade Rovuma (Moçambique) e Universidade do Porto (Portugal).

“Trata-se de projeto de colaboração. Pesquisadores de todas as instituições desenvolverão, em seus respectivos países, ações de mapeamento de poemas com temática de ciência, análise de poemas e realização de atividades de divulgação científica, que contemplarão exposições e material para mídias digitais. O projeto também prevê mobilidade de pesquisadores brasileiros para essas instituições parceiras”, explicou o docente.

Mais sobre a pesquisa

Wilmo explica que a proposta de pesquisa é dividida em três fases. A primeira, consiste em mapear obras e autores em língua portuguesa dos países em cooperação para estabelecer diálogos com a ciência e potencialidades para a compreensão pública de ciência e poesia. A segunda vai identificar e caracterizar experiências cognitivas, emocionais e suas influências na construção de sentidos sobre ciências e poesia em visitantes de exposições científico-poéticas. A terceira e última analisará a compreensão de aspectos sobre ciências e literatura poética a partir da escrita de poemas.

A relevância social, informa o coordenador, também é destaque do projeto, por se apoiar nas ações interdisciplinares e na integração da pesquisa, do ensino e da extensão em todo o conjunto de ações, contemplando a realização de exposições em espaços públicos, elaboração de podcasts sobre ciência e poesia, bem como oficinas de escrita poética.

Bolsista de produtividade em pesquisa pelo CNPq e docente do Programa de Pós-Graduação em Ensino e Formação (PPGEFOP), em Arapiraca, Wilmo ainda destacou a integração com a pós-graduação como fundamental para alcançar a internacionalização das pesquisas. “Nosso PPGEFOP conseguiu um feito notável na avaliação quadrienal da Capes, sendo o primeiro curso do interior a lograr conceito 4 e em sua primeira avaliação. O projeto, que envolverá outros docentes e ao menos cinco discentes do programa, permitirá fortalecer a internacionalização com países de língua portuguesa em três continentes”, ressaltou.

A professora Tereza Cavalcanti é uma das participantes do projeto e deve realizar um intercâmbio em Moçambique. Com o apoio de orientandos, ela buscará mapear poemas e autores brasileiros e moçambicanos que estabelecem relações com a ciência.

“Este intercâmbio se configura como uma oportunidade para que as pesquisadoras e os pesquisadores do Agreste de Alagoas conheçam outras formas de pesquisa desenvolvidas a partir de recortes culturais dos países envolvidos. É uma experiência única”, afirmou.